Perícia afasta 'ocorrência de qualquer forma de adulteração' em áudio, diz PF

Peritos afirmam que gravação de conversa entre Temer e empresário contém 'encadeamento lógico de ideias' em diálogo com 'início, meio e fim'

Fabio Serapião e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2017 | 20h13

BRASÍLIA - Em laudo de 123 páginas, os peritos criminais do Instituto Nacional de Criminalística (INC) concluíram que “não foram encontrados elementos indicativos” de que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista, da JBS, e o presidente Michel Temer “tenha sido adulterada em relação ao áudio original, sendo a mesma consistente com a maneira em que se alega ter sido produzida”. O presidente Michel Temer foi denunciado nesta noite de segunda-feira, 26, pela Procuradoria-Geral da República.

O áudio foi utilizado entre as provas referidas pela Polícia Federal para afirmar, no relatório final entregue ao Supremo nesta segunda-feira, 26, que houve o cometimento do crime de obstrução de investigação de organização criminosa por parte de Temer, do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do empresário e delator do grupo J&F Joesley Batista.

Sobre laudo, os delegados da PF responsáveis pelo inquérito que apura a possível prática dos crimes de organização criminosa, obstrução da Justiça e corrupção passiva por Temer afirmam que a análise "afastou a ocorrência de qualquer forma de adulteração, atestando, assim, a legitimidade plena da prova para a instrução criminal". Segundo a PF, a partir de agora, o áudio passa a "servir como elemento de convicção ao presente inquérito".

Para chegar às conclusões sobre a gravação realizada no dia 7 de março, no Palácio do Jaburu, os peritos realizaram quatro tipos de análise: “perceptual e contextual”, “formato e estrutura de áudio”,  “quantitativas” e do “equipamento gravador”. Na análise chamada perceptual, a perícia apontou para 294 descontinuidades no áudio cujo formato é “wave”.

Embora tenha apontado para as descontinuidades, o laudo afirma que “não foram observados elementos que, de algum modo, indiquem a existência de adulterações.”

Os peritos afirmam que os gravadores utilizados apresentam um circuito de ativação por nível de intensidade sonora de modo que a armazenagem da gravação só se dá quando “na entrada de seu microfone, um valor mínimo de nível de pressão sonora”.

“A partir do momento em que a intensidade sonora cai abaixo de um determinado limiar, o armazenamento de amostras é interrompido, o que produz descontinuidades no fluxo do áudio”, diz a perícia.

Ainda segundo o relatório, os trechos “contínuos sucessivos ao longo do áudio questionado (delimitados pelas descontinuidades existentes) apresentam aparente encadeamento lógico de ideias e assuntos que remetem a um diálogo travado entre dois interlocutores, com inicio, meio e fim”.

EQUIPAMENTOS

No relatório, os peritos relatam que, para analisar o áudio, se valeram de uma “estação computacional HP Z820, fones de ouvido Roland RH-300, dispositivos de captura e reprodução de áudio Edirol UA-25EX, equipamentos e software capazes de analisar conteúdo de mídias ópticas, dispositivos com memoria flash e arquivos computacionais de áudio em formato digital, destacando-se a utilização dos softwares Adobe Audition Versăo 3.0, Praat 6.0.29, AccessData FTK Imaqer versão 3.4.3.3, Indexador e Processador de Evidência Digitais (IPED) versão 3.12.4, PhotoREC versão 7.0, wxHexEditor 0.23, e Matlab 7.0”.

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