Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Bolsonaro diz que Onyx vai liderar, mas que 'todo mundo' vai conversar com o Congresso

Nomeação do general Santos Cruz para a Secretaria de Governo, Pasta responsável por negociação com os parlamentares, gerou mal estar com o futuro ministro da Casa Civil, porque, na prática, esvazia seus poderes

Julia Lindner, Daniel Weterman e Luisa Marini, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2018 | 18h45

BRASÍLIA - Em meio a divergências na cúpula da equipe de transição, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou, nesta terça-feira, 27, que o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, vai liderar a interlocução com o Congresso, mas disse que todos fazem parte de um time e têm que "jogar a bola para frente".

"Eu também vou conversar com o Parlamento, todo mundo vai", disse. "O Onyx Lorenzoni vai ser o comandante dessa área. O Santos Cruz também vai ter responsabilidade nessa área", afirmou a jornalistas, em entrevista coletiva nesta terça.

Bolsonaro disse que o general Santos Cruz, que ficará na Secretaria de Governo, também terá responsabilidades na área. O anúncio de que o militar ficará à frente da Pasta responsável pela negociação com o Congresso gerou mal estar porque, na prática, esvazia os poderes de Onyx. O futuro ministro da Casa Civil, por sua vez, chegou a afirmar em pelo menos duas ocasiões que a Secretaria de Governo seria extinta e ele acumularia a função. "Não podemos sobrecarregar demais uma pessoa no ministério", justificou Bolsonaro. Além disso, também foi questionada a habilidade de Santos Cruz para dialogar com os congressistas. "Santos Cruz é uma pessoa que vai surpreender no trato com os parlamentares (...). Santos Cruz sabe como funciona o parlamento", defendeu o presidente eleito. Ele voltou a destacar que o diálogo do seu governo com o Legislativo será por meio das bancadas, entre elas a bancada evangélica, e não através dos partidos. 

'Pergunta para o Temer, ele que sancionou', disse, sobre reajuste

O presidente eleito comentou ainda que toda população pagará a conta do reajuste salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro evitou fazer comentários sobre o assunto e responsabilizou o presidente Michel Temer pela decisão. Após acordo com o Judiciário, Temer sancionou ontem aumento de 16,38% para os magistrados, que deve ter efeito cascata em todo o País. 

"Pergunta para o Temer, ele que sancionou", respondeu ao ser indagado inicialmente sobre o assunto. Após jornalistas insistirem na pergunta, dizendo que Bolsonaro arcará com as despesas extras em sua gestão e "pagará a conta", ele respondeu: "Toda a população vai pagar a conta, não só eu." Ele disse, ainda, que sua responsabilidade em relação ao assunto só iniciará no dia 1º de janeiro de 2019, quando assume a Presidência da República

Sobre o orçamento, Bolsonaro disse que vai ter que ajustar tudo agora para evitar modificações no próximo ano. "É possível mexer no orçamento no ano que vem, mas o que pudermos fazer agora é melhor", declarou.

Em suas redes sociais, o presidente eleito também falou sobre o programa Mais Médicos, que segundo Bolsonaro, servia de pretexto para o governo do PT financiar a "ditadura" de Cuba. Ontem, o Ministério da Saúde anunciou que 97,2% das vagas antes ocupadas por médicos cubanos no programa já foram preenchidas após a saída desses profissionais do País.

O militar reformado propôs mudanças no programa, mas o governo cubano não concordou e anunciou a saída dos médicos cubanos. "Após Cuba irresponsavelmente retirar-se do Mais Médicos por não aceitar dar liberdade e salário integral aos seus cidadãos, quase 100% das vagas já foram preenchidas por brasileiros. Está claro que o acordo do PT era pretexto para financiar a ditadura membro do foro de São Paulo", escreveu Bolsonaro no Twitter.

Na rede social, Bolsonaro disse que há outros acordos "suspeitos claramente inviáveis" que serão alvo de sua administração. Para ele, o Brasil estava servindo de fonte de renda "disfarçada" de partidos alinhados com o PT na América Latina. "Não mais!", afirmou.

 

Ministro do Meio Ambiente deve ser anunciado na quarta-feira, 28

Na coletiva de imprensa desta terça, o presidente foi questionado a respeito do número de ministérios, que, inicialmente, seriam 15. Ele admitiu que sua equipe esperava um número menor de ministérios, mas que a previsão de corte não será possível. Assegurou, no entanto, que o número não passará de 20 pastas. Mais cedo, foi anunciado Tarcísio Gomes de Freitas para comandar o Ministério da Infraestrutura - o 15º, até o momento. 

O presidente eleito antecipou que deve anunciar amanhã o ministro responsável pelo Meio Ambiente, e que não será um militar. "O Meio Ambiente, apesar de eu ser verde, não vai ser um militar."

Outras escolhas, como o comando do Ministério de Minas e Energia, estão menos avançadas e podem demorar mais uma semana, segundo ele. "O casamento pode ser adiado", brincou.

Bolsonaro também garantiu que haverá um ministério para a área social, mas não deu detalhes. "Vai ter um ministério que vai envolver tudo isso aí; mulher, igualdade racial."

Ele também disse que pretende ter um porta-voz, que já sondou uma pessoa, mas ainda "não recebeu o sinal verde para anunciá-la". Questionado sobre o nome da senadora Ana Amélia (PP), respondeu que ela é uma "excelente pessoa" e "se possível" será convidada para o futuro governo. (

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