Performance é alvo de críticas

Cartão vermelho a Sarney incomoda até aliados

, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2009 | 00h00

Lá se vão quase 26 anos desde que o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) virou atração pela primeira vez no Congresso, ao estrear seu estilo performático na tribuna da Câmara.A pretexto de questionar um decreto-lei salarial do governo Sarney, o então deputado Suplicy subiu à tribuna levando dois caminhões de brinquedo, um deles carregado de tomates. Desajeitado, atrapalhou-se com a "carga" em meio ao debate com o então ministro Delfim Netto, sobre o efeito sazonal da inflação, e derrubou um dos caminhões, espalhando tomates pelo plenário. Naquela época foram só risos. Mas a performance do cartão vermelho para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), acabou desagradando correligionários, aliados e adversários do senador peemedebista. "O que ele fez agora foi a reedição dos tomates do Delfim com atraso duplo: no tempo e no senso de oportunidade", definiu o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), para quem a vontade de Suplicy de "aparecer" é maior do que seu desejo de preservar a instituição. Embora considere que o episódio seja "típico" de Suplicy, o líder confessou surpresa com a atitude dele.A bancada petista também foi surpreendida. Suplicy avisou aos companheiros e ao líder Aloizio Mercadante (SP) que faria um discurso pedindo a renúncia de Sarney, mas não contou a ninguém sobre o gesto teatral de empunhar um cartão vermelho para o presidente da Casa. Os colegas não gostaram, mas evitaram comentar. Ao ser informado do episódio pela líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), deixou clara sua insatisfação. Pouco mais de uma hora mais tarde, Berzoini recusou-se a estender-lhe a mão, ao ser cumprimentado pelo senador durante a solenidade de lançamento da candidatura de José Eduardo Dutra ao comando partidário. Ontem, Mercadante limitou-se a reafirmar a posição da bancada, que defendeu a licença de Sarney, mas não pregou a renúncia. "Suplicy expressou um sentimento de desconforto diante da situação do Senado, partilhado por parcela importante da população neste momento. Mas a posição da bancada não mudou ao longo de todo este processo", disse.

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