PERFIL-Ex-militante estudantil, Juca Ferreira assume Cultura

Ex-militante estudantil, o sociólogoe ambientalista Juca Ferreira deixará para trás, pelo menos porora, o papel de braço direito para assumir o comando doMinistério da Cultura com a saída de Gilberto Gil da pasta. Ferreira foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula daSilva como ministro interino, mas segundo Gil a intenção dopresidente é manter o sociólogo à frente do ministério. Desde que Gil assumiu a pasta, no início do primeiromandato do presidente Lula, Ferreira era secretário-executivo.Ele já vinha atuando como ministro interino quando o músicotirava férias ou viajava para suas turnês. Gil anunciou sua saída em entrevista coletiva nestaquarta-feira. Natural de Salvador, Ferreira foi militante estudantil epassou nove anos exilado no Chile, na Suécia e na França, ondese formou sociólogo, durante o regime militar. Ao voltar ao Brasil após a anistia, desenvolveu diversosprojetos na área de cultura, como o Projeto Axé, dearte-educação para adolescentes em situação de risco social. Ferreira, do Partido Verde, foi Secretário de Meio Ambienteda prefeitura de Salvador e também assessor especial daFundação Cultural do Estado da Bahia. Eleito duas vezes vereador em Salvador, em 1992 e 2000,Ferreira foi convidado por Gil para integrar seu ministério em2003. LUTA POR VERBAS No momento, Ferreira trabalha em um grande pacote culturalque engloba mudanças na Lei Rouanet, de incentivos fiscais, eadoção de novos mecanismos de fomento à atividade cultural. Opacote vem sendo negociado com o governo e o Congresso. Defensor de uma reforma na Lei Rouanet, Ferreira tambémlutou ao lado de Gil em 2004 e 2005 pela criação da AgênciaNacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), para fomentar efiscalizar o setor. O projeto foi alvo de duras críticas,dividiu a classe artística e acabou caindo no esquecimento. Assim como Gil, Ferreira também batalha para um aumento daverba da pasta, que era de 0,2 por cento do total do orçamentoda União em 2003 e foi para 0,6 por cento em 2007. SegundoFerreira, o ideal seria 2,5 por cento, mas no mínimo 1 porcento, como recomenda a ONU. "A cultura demonstrou ser uma atividade importanteeconomicamente, em geração de renda, em ocupação, e isso vemreforçar nossa luta para que o governo inclua nas políticaseconômicas também toda essa atividade cultural."

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