PERFIL-Denúncia volta a tirar Palocci de posto-chave do governo

Antonio Palocci deixou pela segunda vez um cargo-chave no governo federal nesta terça-feira, após pedir demissão do posto de ministro-chefe da Casa Civil em meio a suspeitas sobre sua evolução patrimonial no período em que foi deputado federal, antes de se tornar o principal auxiliar da presidente Dilma Rousseff.

EDUARDO SIMÕES, REUTERS

07 de junho de 2011 | 19h09

A situação de Palocci no cargo tornou-se insustentável, mesmo depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter decidido arquivar pedido de investigação da oposição devido a seu aumento patrimonial. O ministro mais influente fazia articulação política e era visto pelo mercado financeiro como um grande defensor da estabilidade fiscal e das políticas econômicas ortodoxas dentro do governo Dilma.

Com a queda, o agora ex-ministro-chefe da Casa Civil torna-se a primeira baixa do governo Dilma desde que ela assumiu o cargo em janeiro deste ano. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi convidada para assumir o cargo.

O calvário do agora ex-ministro começou em meados de maio, quando o jornal Folha de S.Paulo publicou que o patrimônio de Palocci cresceu 20 vezes no período em que ele foi deputado federal de 2007 a 2010.

Palocci justificou-se, por meio de comunicados e entrevistas, afirmando que os rendimentos vieram de uma empresa de consultoria aberta por ele e que todos os ganhos obtidos foram declarados à Receita Federal. Ele não quis revelar o nome de seus clientes, que teriam levado a consultoria Projeto a faturar 20 milhões de reais somente em 2010.

Palocci, em entrevista, usou a estratégia de desvincular o governo das acusações sobre seu enriquecimento, dizendo que era uma questão dirigida a sua pessoa.

A oposição, além de defender a saída do ministro, vinha fazendo pressão no Congresso pela criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e pela convocação de Palocci para esclarecimentos tanto na Câmara quanto no Senado.

CASO FRANCENILDO

Médico sanitarista de formação que ocupou o cargo de ministro da Fazenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2006, Palocci vive novamente a experiência de deixar um posto no alto escalão do governo federal sob suspeita.

Mesmo conseguindo a simpatia do mercado financeiro no comando da Fazenda, Palocci viu seu nome envolvido em denúncias contra antigos colaboradores e não resistiu às suspeitas de que se envolveu na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

Francenildo testemunhou em CPI afirmando que Palocci frequentava a chamada casa do lobby, ou República de Ribeirão Preto, cidade que o ex-ministro e ex-deputado federal governou por duas vezes.

A casa, em Brasília, frequentada por ex-assessores, era apontada como local de organização de lobby junto ao governo federal.

Em 2009, o Supremo Tribunal Federal livrou Palocci do processo sobre a violação. Dessa vez, mesmo com o arquivamento da Procurador-Geral da República, o ex-braço direito de Dilma deixa um cargo importante diante de suspeitas que parece não ter conseguido explicar.

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