Péres vira relator no Conselho de Ética

Presidente do colegiado surpreende e indica pedetista para analisar denúncia de que Renan teria comprado empresas em nome de laranjas

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

11 Outubro 2007 | 00h00

Pressionado por senadores de seis partidos, o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), finalmente indicou ontem o relator para a terceira representação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador Jefferson Péres (PDT-AM) se encarregará da tarefa de relatar a mais documentada denúncia contra Renan, apresentada há mais de 50 dias pelo DEM e pelo PSDB: a de que ele teria comprado empresas de comunicação em nome de laranjas, em sociedade com o usineiro João Lyra. A escolha surpreendeu, não apenas por mostrar uma guinada de Quintanilha nos procedimentos adotados até agora - sempre manobrando em favor de Renan -, mas por recair em um nome diversas vezes rejeitado pelo presidente do conselho. Quintanilha, que vinha adiando a definição do nome, tomou a decisão um dia depois da reunião em que 19 senadores de 6 partidos fixaram o prazo de 2 de novembro para votação das quatro representações existentes contra Renan. Se isso não ocorrer, eles ameaçam obstruir as votações nas comissões e no plenário. O presidente do conselho nega que tenha sido pressionado. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) tiveram papel importante na escolha. Eles entraram em cena, após a ameaça dos líderes da oposição. Temem problemas para votar a CPMF. O nome de Péres foi bem recebido. Para Eduardo Suplicy (PT-SP), é certo que ele fará "um trabalho justo". "Se fosse um caso contra mim, gostaria que fosse ele o relator, pois saberia que o parecer seria justo." Para o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), colocar Péres na relatoria "é um sinal que o Senado está entrando nos eixos e assumindo a postura que a sociedade exige e merece". Renan enfrenta três processos no Conselho de Ética - ele já conseguiu ser absolvido em julgamento no plenário do Senado, por 40 votos a 35 e 6 abstenções, da acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior. Além da acusação de que usou laranjas, Renan ainda terá de responder à denúncia de suposto favorecimento à cervejaria Schincariol perante a Receita Federal e o INSS em troca da compra superfaturada de uma fábrica de refrigerantes de sua família. Há ainda a acusação sobre suposta coleta de propina em ministérios do PMDB. Anteontem, o DEM e o PSDB entraram com a quinta representação na Mesa Diretora: Renan é acusado de espionar senadores. O caso ainda não chegou ao conselho.

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