Péres pede cassação de Renan em caso de compra de rádios

Relator do 3º caso vê sete indícios de violação de decoro; pouco antes, Renan foi inocentado do caso Schin

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, do Estadão,

14 de novembro de 2007 | 17h13

O senador Jefferson Péres (PDT-AM), relator da representação de número três, no Conselho de Ética, contra o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acaba de pedir a cassação do mandato do peemedebista por quebra de decoro parlamentar.  Nessa representação, Renan é acusado de ter utilizado "laranjas" (falsos proprietários) na compra de um jornal e duas emissoras de rádio em Alagoas em sociedade com o usineiro e ex-deputado João Lyra. Péres apresentou sete indícios de violação do decoro para pedir a cassação do presidente licenciado do Senado.  Veja também: Conselho arquiva caso Schincariol contra Renan Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Antes de votação, Renan faz visita de 'cortesia' a Viana Por unanimidade, irmão de Renan é absolvido na Câmara  Durante a sessão, a defesa de Renan afirmou que não havia provas contra Renan e pediu o arquivamento do caso. Argumentou ainda que os fatos teriam ocorrido em período anterior ao mandato e, portanto, senador não poderia sofrer processo no órgão por quebra de decoro. O pedido foi descartado.  Péres afirmou ainda que a reportagem da revista Veja não será usada como prova no conselho, mas sim os depoimentos prestados ao órgão durante a investigação do caso. "A prova primária é o depoimento do empresário João Lyra à Corregedoria da Casa, quando ele afirmou categoricamente sua sociedade com o representado em várias passagens", disse.  Antes de Péres, o relator da segunda representação contra Renan, senador João Pedro (PT-AM), pediu o arquivamento do processo no qual o presidente licenciado do Senado era acusado de ter agido em favor da cervejaria Schincariol na Receita Federal e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O arquivamento da segunda representação foi aprovado por nove votos favoráveis e cinco abstenções, todas do PSDB e do DEM. Em 34 páginas, João Pedro afirma que não foi encontrado nas diligências realizadas "ilícito que possa ser considerado como elemento, ainda que indiciário, de que o representado (Calheiros) tenha praticado ato que possa ser incompatível com o decoro parlamentar". "Nós não encontramos elementos que possam levar à quebra de decoro", afirmou. Além do caso Schincariol e dos "laranjas",  Renan é alvo de mais dois processos no Conselho de Ética.Ele é acusado de participar de esquema de propina envolvendo membros do PMDB e de espionagem. No dia 12 de setembro, ele foi absolvido da primeira denúncia, que o acusava de pagar uma pensão à jornalista Mônica Veloso-com quem tem uma filha- com dinheiro de um lobista ligado à construtora Mendes Júnior. Irmão de Renan Na última terça, o Conselho de Ética da Câmara absolveu o irmão do presidente licenciado do Senado,  por unanimidade, pelo mesmo processo que acusava Renan de favorecimento à empresa Schincariol, para a qual o deputado vendeu um fábrica de refrigerantes no município de Murici (AL), dominado politicamente por sua família. Também foi investigado por ligações suspeitas com o empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama preso na Operação Navalha.  A representação do PSOL pediu investigações para apurar se a venda da fábrica de refrigerantes do deputado, vendida à Schincariol por R$ 27 milhões, foi resultado de um acordo para livrar a empresa de mais de R$ 100 milhões em dívida com a Receita Federal.   (Com Agência Senado)

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