Andre Dusek/AE
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Perda de apoio de lideranças do PDT ameaça permanência de Lupi na pasta

Parlamentares expressivos da bancada, Miro Teixeira e Reguffe vão à Procuradoria-Geral da República pedir a abertura de inquérito na PF para apurar suspeitas de cobranças de propinas de ONGs

Rafael Moraes Moura, Vera Rosa e João Domingos, de O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2011 | 22h40

BRASÍLIA - Desafiado por expoentes do próprio partido, o PDT, e na mira da Comissão de Ética Pública da Presidência, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é o sexto colaborador da presidente Dilma Rousseff que pode perder o cargo por denúncias de corrupção.

 

Dilma conversou na segunda-feira, 7, com Lupi por 20 minutos, no Palácio do Planalto. Ela tentará segurar o ministro até a reforma da equipe, prevista para janeiro de 2012, mas manifestou preocupação com a "fritura" do auxiliar no próprio PDT após a publicação de reportagem na revista Veja que envolve assessores de Lupi na cobrança de propina de ONGs. Auxiliares da presidente lembraram que o Planalto considera fundamental o apoio dos partidos aos ministros, como ocorreu com Orlando Silva (ex-titular do Esporte), que ganhou sobrevida de alguns dias por causa da resistência do PC do B.

 

"Sou osso duro de roer. Quero ver até onde vai essa onda de denuncismo. Se tem alguém usando a estrutura do ministério para desviar dinheiro público, que seja devidamente enquadrado e responda por isso", disse o ministro em entrevista à TV Globo.

 

Polícia Federal. Lideranças importantes do partido, os deputados Antônio Reguffe (DF) e Miro Teixeira (RJ) vão nesta terça-feira, 8, à Procuradoria-Geral da República pedir a abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar as suspeitas de irregularidades no ministério. "As denúncias são gravíssimas", disse Reguffe, que teve 266.465 votos, 18,95% dos votos válidos (proporcionalmente o mais votado do Brasil).

 

Ao lado de Miro, pedetista histórico e ex-ministro, no nono mandato, Reguffe é um dos parlamentares mais representativos do PDT. Os dois deputados perguntaram ainda ao senador Pedro Taques (MT), ex-procurador da República, se ele não queria assinar a representação. Taques ficou de estudar o assunto.

 

Além da ofensiva de pedetistas, a Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu na segunda-feira abrir processo preliminar contra Lupi e cobrar explicações sobre denúncias de que assessores da pasta atuam em um esquema de extorsão de dinheiro para liberação de recursos a ONGs. Ele terá dez dias para se manifestar.

 

Antes de conversar com Dilma, Lupi participou de reunião no Planalto com líderes partidários para tratar da votação da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Deputados disseram ao Estado que ele "entrou mudo e saiu calado".

 

Na conversa que teve com ministros da coordenação política no domingo, Dilma lembrou que Lupi demitiu o chefe de gabinete Marcelo Panella em agosto, a pedido do governo, e tomou as medidas necessárias para conter desvios de recursos na pasta. Panella era acusado por dirigentes de ONGs de comandar o esquema de corrupção. Lupi também afastou o coordenador-geral de Qualificação, Anderson Alexandre dos Santos. Segundo reportagem da Veja, assessores de Lupi criavam dificuldades com ONGs que prestavam serviços ao ministério e depois cobravam propina, que variava de 5% a 15% do valor do contrato.

 

Bate-boca. O racha no PDT foi exposto na segunda-feira num embate entre o deputado Brizola Neto (RJ) com o líder da sigla, Giovanni Queiroz (PA). Brizola Neto pediu ao líder que a reunião com Lupi em Brasília contasse com a presença de todos os deputados da bancada. "Duas horas depois, leio uma entrevista dele (Queiroz) ao iG dizendo que ‘o Brizola é quem está brigado com o Lupi, porque ele gostaria de ser ministro’", reclamou o Brizola, que acusou o líder de ser "moleque de recados".

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