Perda com CPMF é menor do que a anunciada, diz economista

Chefe do ABC Brasil afirma que economia em transações com o fim do imposto é maior do que R$ 20 bi

Paulo Maciel, da Agência Estado,

03 Janeiro 2008 | 10h13

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, sustenta que a perda líquida de arrecadação com o fim da CPMF seria menor do que os R$ 40 bilhões apregoados pelo governo e também a economia a ser feita com o fim do imposto seria menor do que os R$ 20 bilhões alegados pelo governo. Durante entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News, o economista explicou que não estariam incluídos na conta cerca de R$ 10 bilhões provenientes da movimentação financeira do próprio governo.  "Assim como recebe os R$ 40 bilhões de arrecadação de CPMF, o governo paga CPMF porque ele também faz transações financeiras", ponderou. "Portanto, uma parte dos R$ 20 bilhões seria simplesmente a conta de poupança que o governo vai fazer ao não pagar mais a CPMF." A perspectiva para 2008 não é das mais promissoras, na visão do economista. Há a possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos, a ressaca do mercado de crédito americano pós-subprime e a incerteza se a economia mundial continuará crescendo de forma robusta, mesmo diante de uma possível desaceleração mais forte da economia americana.  Na opinião do economista, há muito mais perguntas no ar do que respostas neste início de ano. "E quando as pessoas têm muitas perguntas e poucas respostas, a sensação, sem dúvida, não é das mais agradáveis", ponderou Souza Leal. "Por isso, eu acho que a utilização da palavra 'pessimismo' é bem colocada." O aumento da inflação seria outro problema para o governo resolver. "Ela certamente está acelerando, já que nós tivemos um aumento expressivo da inflação entre 2006 e 2007", afirmou.  Se por um lado boa parte da elevação de preços pode ser considerada pontual por tratar-se de problemas com os alimentos, o economista lembra que ninguém pode garantir que isso não se repetirá este ano. "Nós temos alguns problemas pontuais, como é o caso do feijão com problemas de safra que podem ser revertidos ao longo de 2008, mas outras questões têm a ver com a escassez dos alimentos em escala mundial", diagnosticou.  Há ainda a componente inercial da inflação mais alta do ano passado, o que piora a expectativa de 2008. "Eu acho que, apesar da pontualidade das causas dessa inflação, certamente ela é desconfortável, ainda mais em um cenário de crescimento forte." Investimentos O aumento da aversão ao risco reduziria o fluxo de investimentos em países como o Brasil, o que traria conseqüências para a cotação dos ativos brasileiros.  "Apesar das teses de descolamento da economia dos países emergentes com relação ao que acontece na economia americana, (ela) ainda é a locomotiva do mundo, então o que acontece na economia americana certamente se reflete na economia real brasileira e principalmente no mercado financeiro", alertou o economista.  "O aumento da aversão a risco nas economias centrais e principalmente na economia americana certamente vai reduzir o fluxo de investimentos para o Brasil, tendo conseqüências de desvalorização dos ativos brasileiros."

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