Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Pepe Vargas nega 'toma lá da cá' na montagem do 2º escalão do governo Dilma

Ministro das Relações Institucionais afirma que escolha de cargos não tem objetivo de influenciar a eleição para presidência da Câmara, que tem como principal candidato um crítico ao Planalto

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2015 | 11h29

Brasília - O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT), afirmou nesta terça-feira, 20, que o governo não está atuando para influenciar a eleição para a presidência da Câmara e que a formação do segundo escalão não está sendo feita com base nesse critério. Segundo Vargas, responsável pelo diálogo com o Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff decidiu jogar as nomeações para as diretorias de empresas estatais e de órgãos federais para depois da eleição das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado justamente para deixar claro que o Palácio do Planalto não quer usar as funções para ajudar um dos candidatos.

"Não formamos nosso governo com base no toma lá da cá. O governo vai ser montado por pessoas indicadas por partidos e por pessoas não indicadas. Desconheço governo que não seja formado assim", afirmou Vargas durante café da manhã com jornalistas setoristas do Palácio do Planalto.

Marcada para 1º de fevereiro, a eleição para a presidência da Câmara coloca em campos opostos os dois principais partidos da base de sustentação da presidente Dilma, o PT e o PMDB. Os petistas lançaram a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (SP) enquanto a bancada peemedebista trabalha para eleger seu líder, Eduardo Cunha (RJ), considerado favorito, mas tratado pelo Planalto como "adversário" por ter imposto derrotas ao governo no ano passado.

Na última semana, incomodada com a atuação de ministros para fortalecer a candidatura de Chinaglia, a Executiva Nacional do PMDB realizou uma reunião e divulgou uma nota de apoio aos nomes do partido para disputar o comando da Câmara e do Senado. Hoje, Vargas minimizou o gesto, ao ser questionado se o objetivo da legenda era "emparedar" o governo. "Encaramos com naturalidade. O PMDB disse óbvio, que apoiará os candidatos do PMDB", afirmou.

Ele também disse que o governo vê "com naturalidade" os impactos da operação Lava Jato - que investiga um esquema de desvios na Petrobrás para o pagamento de propinas a políticos - no Legislativo. "Se houver congressista envolvido é provável que seja oferecida denúncia", pontuou. "Vamos aguardar o que a Procuradoria-Geral da República vai encaminhar".

Vargas defendeu que o Brasil possui instituições independentes e que pela primeira vez estão sendo punidos "corruptos e corruptores", mas voltou afirmar hoje ser contrário à criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para apurar irregularidades na estatal. "A CPI neste momento é um instrumento de oposição. Uma CPI neste momento não tem razão de ser", disse, sob o argumento de que o Judiciário e órgãos como a Controladoria-Geral da União, o Ministério Público e a Polícia Federal estão investigando a empresa com mais eficiência.

Ao comentar declarações recentes de Eduardo Cunha, que defende publicamente a reabertura de uma CPI na próxima legislatura, o ministro disse que o gesto "não contribui com uma boa relação".

'Porteira fechada'. Sobre a montagem do segundo escalão, Pepe Vargas declarou ainda que a presidente Dilma não deve adotar a chamada "porteira fechada", jargão segundo o qual o partido político que comanda um determinado ministério também ganha aval para nomear as diretorias de órgãos vinculados. "(A porteira fechada) não tem uma racionalidade técnica, de gestão e sequer política. Achamos melhor que seja avaliado caso a caso e não haja a chamada porteira fechada", disse Vargas no encontro com a imprensa. Apesar disso, ele alegou que o governo acha "compreensível" que o partido que recebeu o ministério "tenha uma certa preponderância" nas nomeações.

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