Peões se preparam para a busca da glória em Barretos

Como cantores sertanejos, os peões fazem carreiras de sucesso pelo interior. Quase não aparecem na mídia ao longo do ano, mas levantam multidões na arquibancada. Grandes estrelas da Festa do Peão de Barretos, que começa na quinta-feira, eles vêm, na maioria, de famílias simples - são filhos de administradores de fazenda e de tocadores de gado. Outros traços em comum são a coragem e a coleção de motocicletas carros e outros prêmios amealhados em disputas no Brasil e até no exterior. Além de ossos do ofício, como fraturas e outras contusões.Este ano, cerca de 900 peões pisarão na arena de Barretos. Na modalidade de montaria em touro, a mais perigosa, uma das grandes estrelas será Paulo Crimber, de 21 anos. Apesar da idade, Crimber já fez de tudo na vida. Trabalhou como garçom, servente de pedreiro, retireiro, pastoreou vacas, cuidou de cavalos mangas-largas.Em 1998, em sua estréia em Barretos, montou o touro Terrorista e ficou em segundo lugar. "Este boi, respeitado, contribuiu para me tornar estrela e mudar a minha vida."Nova York - No ano passado, Crimber não participou da festa porque estava nos Estados Unidos, onde ganhou um prêmio de US$ 40 mil, em Nova York. Este ano, mesmo ainda se recuperando de uma lesão muscular na perna, ele garante que estará na arena. "Pretendo ser peão de rodeio até os 40 anos."Outra atração na categoria de Crimber é Fabrício Alves, de 29 anos. Filho de um administrador de fazenda de Agudos (SP), aos 10 anos já apanhava do pai porque montava nos bezerros da propriedade. Mas o sucesso falou mais alto. Em 1992, venceu na montaria em touro em Barretos. Não parou mais. "Agora quero vencer em Barretos e no Texas, onde a premiação é três vezes maior.""Barretos é como a seleção brasileira, tem mais emoção e a adrenalina sobe muito", afirma o atual líder da categoria cutiano de montaria em cavalo da Federação Nacional de Rodeio Completo, Osmar Augusto, de 35 anos. Ele nunca venceu na Festa do Peão, em 12 participações.Osmar é um exemplo de que nem só de vitórias vive o peão. Já ficou dois anos parado após uma queda do cavalo. Fraturou em três lugares o fêmur e teve de ser submetido ao implante de 12 pinos e uma placa. "O importante é ter fé e coragem para continuar montando." Outra regra de ouro é saber administrar o que se ganha. "Tem vários peões por aí que ganharam muito, mas hoje estão na pior."O paulistano Virgílio Gonçalves, de 29 anos, está no Guinness Book como peão recordista em prêmios. Profissional há 11 anos, já ganhou, além de premiações em dinheiro, 25 carros, 3 caminhonetes e 28 motocicletas. Venceu o rodeio em Barretos em 1992, 1993 e 1995, sempre na categoria cutiano de montaria a cavalo. Com tantas conquistas, ele criou o slogan "a sela é o meu trono".Um dos maiores feitos de Gonçalves foi ter participado do concorridíssimo rodeio de Calgary, no Canadá, onde exibiu o cutiano brasileiro e participou das provas de bareback e de sela americana. "Eu não estava preparado para a rápida projeção do meu nome no Brasil, Canadá e Austrália."Solista - Na mesma modalidade de Gonçalves, Antonio Juscelino Costa, de 27 anos, teve atuação tão destacada em Barretos no ano passado que alguns críticos o compararam a um solista de orquestra, porque parecia competir sozinho. A vitória rendeu a Costa a liderança no ranking da federação nacional. O único obstáculo que o deixa ressabiado é a possibilidade de um dia cruzar com o ainda invicto cavalo Voltei Pra Te Ver. "Se der ele no sorteio, fazer o quê, vamos ver quem é melhor."

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