Peluso critica juízes por pressão por reajuste

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, alertou ontem os juízes que fazer uma operação padrão como forma de pressionar por reajustes salários é uma medida inadequada e que pode ter repercussões legais.

AE, Agência Estado

20 de outubro de 2011 | 12h03

Nesta semana, o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy, anunciou que por decisão de uma assembleia de magistrados os processos de interesse da União terão as suas intimações e citações totalmente represadas. As decisões somente serão comunicadas no final de novembro, todas de uma vez.

Num ofício encaminhado ontem aos presidentes e corregedores de Tribunais Regionais Federais (TRFs), Peluso disse que está preocupado com a medida anunciada pela Ajufe, que segundo ele pode trazer repercussão negativa para a imagem do Judiciário.

"Tendo em vista notícias de que juízes federais planejam a realização, no próximo dia 30 de novembro, de ''operação padrão'' em processos que envolvam a União, permito-me solicitar a Vossa Excelência que transmita aos magistrados sujeitos a esse egrégio tribunal minha avaliação e preocupação quanto à total inadequação da iniciativa, que, a par de eventuais repercussões no âmbito legal, certamente trará impactos negativos à imagem da Magistratura como prestadora de serviço público essencial", afirma Peluso, que também é presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle externo do Judiciário.

A estratégia da operação padrão também colocou em choque dirigentes de associações representativas de juízes. Depois de ter anunciado o movimento, Gabriel Wedy criticou ontem o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, para quem a medida pode trazer consequências graves para o Tesouro. De acordo com Wedy, a afirmação de Calandra foi inverídica e irresponsável. Ele também disse que o colega deveria "agir de forma independente na defesa dos juízes". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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