Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Pelo Twitter, Bolsonaro tenta limitar declarações de equipe

Presidente eleito escreveu que desautoriza informações de 'equipe de Bolsonaro' à imprensa; ele também se recusou a responder perguntas nesta sexta

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2018 | 15h38

RIO - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) escreveu nesta sexta-feira, 2, em seu Twitter, que desautoriza as informações de sua equipe para a imprensa. "Desautorizo informações prestadas junto a mídia por qualquer grupo intitulado 'equipe de Bolsonaro' especulando sobre os mais variados assuntos, tais como CPMF, previdência, etc", afirmou. Ele citou diretamente os temas que já foram objeto de divergência entre membros da equipe econômica e seus assessores mais próximos da área política.

Nesta sexta-feira, 2, Bolsonaro também se recusou a responder as perguntas da reportagem do Estado ao embarcar para um passeio de barco com a família pela Restinga da Marambaia, uma área de reserva da Marinha, em Mangaratiba, município do litoral sul do Rio. O presidente eleito passou a tarde  Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (Cadim), uma organização militar da Marinha. 

 

Ele estava acompanhado da mulher, Michele, da filha mais nova e do filho Carlos Bolsonaro, entre outros familiares, amigos e seguranças da Polícia Federal. Foi recebido por oficiais da Marinha, que possui um restaurante de acesso restrito na Reserva. O presidente posou para fotos com eleitores e autorizou o embarque de um cinegrafista de TV em um barco de apoio. 

Em nota emitida por volta das 17h30, a Marinha informou que o centro "tradicionalmente oferece privacidade e segurança para autoridades nacionais e estrangeiras" e tem por missão principal "contribuir para o aprestamento de Forças Navais e dos Fuzileiros Navais".

Desde a manhã desta sexta, Bolsonaro e sua equipe dão sinais de que vão restringir os contatos com a imprensa. Ao embarcar, o presidente, que ficou cerca de 5 minutos interagindo com dezenas de pessoas que correram para o deck, ignorou todas as perguntas. 

Mais cedo, ao sair de uma reunião na casa de Bolsonaro, o futuro chefe da Casa Civil,Onyx Lorenzoni, se recusou a responder a maior parte das perguntas. Ele informou apenas que havia aprovado os nomes da equipe de transição e confirmou a agenda do novo presidente em Brasília essa semana. Segundo ele, Bolsonaro só voltará a falar na quarta-feira, em Brasília, após encontro com o presidente Michel Temer. 

Perguntado se havia sido baixada uma lei do silêncio, Onyx negou, mas avisou que os contatos com jornalistas serão mais restritos. 

O Estadão/Broadcast perguntou para a futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, se eles pretendem retornar nesta sexta da restinga. Ela não respondeu, mas policiais do Batalhão de Choque que fazem a escolta do presidente eleito informaram que foram orientados a permanecer em Itacuruça.

Além disso, em 31 de outubro, o presidente eleito informou que anunciará oficialmente os nomes de todos ministros pelas suas redes sociais. "Qualquer informação além é mera especulação maldosa e sem credibilidade", escreveu. 

Jornais barrados

Na quinta, os jornais impressos foram barrados da primeira coletiva do presidente. Em uma lista regulada por uma policial federal na porta do condomínio, Bolsonaro só permitiu que emissoras de TV (menos a TV Brasil), algumas rádios e dois sites entrassem. O Estado, a Folha de S. PauloO Globo e as agências internacionais não puderam passar da guarita do condomínio.

Quando jornalistas que participaram da coletiva lhe perguntaram por que alguns veículos tinham sido barrados, Bolsonaro respondeu que “não sei quem marcou isso (coletiva)" e que não mandou restringir ninguém. Desde o episódio da facada, Bolsonaro não tem concedido entrevistas a jornais impressos e privilegiado meios eletrônicos, como emissoras de televisão e rádio. /COLABOROU FABIO GRELLET

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