Pelo menos 25 estaduais correm risco de perder cargo

Assembléia do Rio é recordista, com 4 mudanças desde 27 de março

O Estadao de S.Paulo

07 Outubro 2007 | 00h00

Pelo menos 25 deputados estaduais por todo o País estão ameaçados de perder suas cadeiras depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que os mandatos pertencem aos partidos. É o equivalente ao conjunto da Câmara Legislativa do Distrito Federal, revela levantamento feito na sexta-feira pelo Estado nas 27 Assembléias Legislativas do País. Os ameaçados são parlamentares que ignoraram a interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e continuaram com o troca-troca de legenda depois de 27 de março. Na quinta-feira, o STF decidiu que a infidelidade registrada após essa data pode ser punida com a perda do mandato. A Assembléia do Rio é a recordista em infiéis, com quatro mudanças de partido desde 27 de março. São Paulo, Amazonas e Pará vêm em seguida, com três cada. ''''Temos todos que apoiar e aplaudir a decisão do Supremo, que contribui efetivamente para a moralização e o respeito que se impõe à filiação partidária'''', afirmou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, desembargador Roberto Wider. Quinze Legislativos estaduais não registraram nenhuma infidelidade nesse período. Em vários deles, no entanto, as mudanças foram intensas nos primeiros meses do ano. A definição de uma data-limite para a anistia dos infiéis salvou muita gente. Na Bahia, foram oito trocas, todas antes de 27 de março. Também foi grande o movimento de parlamentares que preferiram retornar ao partido pelo qual se elegeram. Só em Minas foram quatro. O único infiel mineiro que corre o risco de perder o mandato já tem a defesa pronta. Ruy Muniz (PR) vai alegar que o partido pelo qual foi eleito acabou extinto - o PFL, que virou DEM. ''''Eu mudei de forma consciente porque pretendo disputar as eleições municipais em minha cidade.'''' Em São Paulo, dois dos três deputados ameaçados confiam na manutenção do mandato. Otoniel Lima e Gilmaci Barbosa, ambos ex-PR, alegam que a saída foi a pedido da legenda. Na dança dos infiéis nas Assembléias nesse período, o PT levou a melhor. Ganhou três deputados e não perdeu nenhum. O DEM teve o pior resultado: quatro saíram e só um entrou no partido. O PMDB, com seis perdas e seis novos filiados, registrou o maior entra-e-sai. Na Câmara Municipal de São Paulo, três vereadores estão ameaçados: Soninha, que mudou do PT para o PPS, Milton Leite, ex-PMDB e atual DEM, e Myryam Athie, que migrou do PPS para o PDT.

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