Pelé também foi substituído, exemplifica Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em seu discurso, após anunciar os nomes dos novos ministros, que aqueles que estão deixando o governo devem entender que a mudança feita não significa que quem está entrando seja melhor do que quem está saindo. Citou o caso do jogador Pelé que, segundo ele, mesmo sendo "o melhor jogador do século", muitas vezes foi substituído. "Tudo dependia da situação do jogo, e aqui tudo depende das circunstâncias políticas e de governo, já que queremos trabalhar de forma mais aprimorada", declarou o presidente. Ele afirmou que sua gratidão para com os ministros que estão saindo é, em alguns casos, fruto de uma relação política de muitos anos. "Desde os primórdios do PT - como os companheiros Benedita e Graziano e tantos outros". O presidente reconheceu que o ano passado foi muito difícil para alguns ministérios, já que o governo criou novas pastas sem alterar a estrutura do Poder Executivo, não fazendo novas contratações. Lula lembrou ainda que alguns ministérios chegaram a trabalhar por até seis meses sem salas. "Sou um ser humano feliz por ter convivido com todos eles neste primeiro ano de governo e tenho certeza de que continuaremos vivendo outras ações políticas", disse Lula. Fez questão de ressaltar que é preciso que todos compreendam que todo governante faz mudanças durante o mandato. Aliança com PMDB visa a reformas e governabilidadeO presidente fez uma referência especial ao "reencontro" do PT com o PMDB, dois partidos que se identificavam na oposição aos governos durante o regime militar. O presidente ressaltou a importância da aliança política que está sendo feita agora entre os dois partidos. Disse que essa aliança se dá no momento em que as pessoas estabelecem pontos comuns de ação e trabalho. "Compreendeu o PT de ter o PMDB como base, e compreendeu o PMDB de não negar ao governo a sustentação necessária para aprovar as reformas e dar tranqüilidade na governabilidade do País", disse. Lula observou que o reencontro de PMDB e PT acontece um ano depois do início do seu mandato. Destacou a participação decisiva do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do presidente do PT, José Genoíno, como articuladores da aliança. "O que aconteceu neste ano (2003) não estava previsível nas escritas dos melhores cientistas políticos do País", disse o presidente, em referência à aprovação das reformas previdenciária e tributária em sete meses. Tinha ente querendo ver o PT ser oposição no governoO presidente comentou que no primeiro ano de seu governo havia gente querendo que o PT fizesse oposição ao próprio PT e que fizesse o mesmo discurso de antes de ser governo. Isso, segundo o presidente, seria impossível ante a realidade política do País. Lula disse que o PT no governo descobre que a sociedade é mais heterogênea do que um partido político. "Ou nós compreendemos isso, e nos articulamos para sair da fase do ´eu acho´ para a fase do ´eu faço´, ou não governaremos uma cidade, um Estado e um país como o Brasil", declarou o presidente. Em referência às quatro vezes em que se candidatou à Presidência, Lula disse que Deus foi "por demais generoso" com ele, já que na quarta tentativa conseguiu se eleger. "Está certo que eu fui até insistente, e Deus levou isso em conta", brincou. "Não sou cientista político, mas quero fazer política como nenhum cientista fez neste País", acrescentou. Dirigindo-se aos novos ministros, pediu-lhes que atuem com a mesma dedicação e a mesma afinidade que tiveram em relação ao governo os ministros que estão saindo. "Espero que vocês, como eu, trabalhem incansavelmente 24 horas por dia, para fazer as transformações, para a economia crescer, o que tanto esperam os brasileiros". Lula se declarou otimista em relação às condições da economia. Disse que os índices estão melhores e que espera que melhorem cada vez mais. Para ler mais sobre as mudanças no Ministério: O discurso de Lula Lula anuncia seus novos ministros Pelé também foi substituído, exemplifica Lula, em seu discursoHouve ?divulgação exagerada? sobre a saída de Cristovam, queixa-se Lula, em seu discursoOs novos ministros falamNovo Ministério do Desenvolvimento dará continuidade aos projetos, diz Patrus Eunício Oliveira, das Comunicações, promete respeitar contratosAgora no CDES, Jaques Wagner promete lutar por mais empregoTarso, agora na Educação, destaca cautela e dificuldades

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