Reprodução|Facebook
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Pelo Facebook, Dilma defende Bolsa Família e critica cortes no programa

Presidente afastada respondeu a perguntas de internautas

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 20h01

Brasília - Como parte da estratégia de defender o seu mandato, a presidente afastada Dilma Rousseff usou um modelo já utilizado em sua campanha presidencial em 2014 para "conversar" com internautas. Pela página oficial no Facebook, Dilma respondeu na tarde desta quarta-feira, 18, a perguntas de internautas sobre o primeiro tema para se "defender": o programa Bolsa Família.

"Hoje nós temos 17 milhões de crianças e jovens frequentando regularmente a escola graças ao Bolsa Família. Por isso, ficamos muito preocupadas com os cortes que estão previstos para o Bolsa Família. Sabe por quê? Porque se o programa for "focado" em apenas 5% vamos ter a seguinte situação catastrófica: a cada 30 minutos, 22 crianças deixariam de frequentar a escola", respondeu Dilma, que postou uma foto ao lado da ex-ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello.

Questionada sobre se o País corre o risco de voltar ao mapa da fome caso o programa sofra cortes, Dilma disse que é preciso lutar contra os retrocessos e que o governo em exercício, comandado por Michel Temer, tem "falado muito em cortar benefícios".

"É claro que se houver corte no programa há o risco de voltarmos ao passado", disse. "Eles têm falado muito em cortar benefícios. Com o Bolsa Família, falam de cortar de 10% a 30%. Isso significa de 4,7 milhões até 13 milhões de pessoas", afirmou.

Dilma disse ainda que quando o programa começou, em 2003, 10% da população estava em situação de insegurança alimentar. "Hoje, é menos de 1%. Por isso, o Brasil saiu do Mapa da Fome das Nações Unidas. É com orgulho que podemos dizer que nasceu no Brasil a primeira geração de crianças livre da fome e na escola. Não podemos permitir retrocessos."

No bate-papo, que durou cerca de uma hora, Dilma respondeu ao menos 15 perguntas, entre elas um comentário da personagem Dilma Bolada. Em um longo texto em que sugeriu uma "auto-reflexão juntas", a personagem listou algumas ações do governo Temer, como a ausência de mulheres em ministérios e a suspensão de 11 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida.

Administrada pelo publicitário Jeferson Monteiro, a personagem Dilma Bolada questionou se a presidente afastada achava que os senadores eram "cúmplices e financiadores do golpe" e se "com seu retorno, não seria a hora de uma grande repactuação (que só é possível com alguém legitimamente escolhido pelo povo) com políticos e sociedade para o Brasil superar esse momento difícil?". Dilma respondeu simplesmente: "Você tem toda razão! Beijos!"

Questionada sobre as críticas de que o programa de transferência de renda não "ajudava a pescar" e como as famílias que recebem o benefício "retribuem" para a sociedade, Dilma respondeu que quase todos os países desenvolvidos possuem programas de transferência de renda, "que se tornam mais importantes ainda durante crises econômicas".

Dilma disse ainda que somente neste ano 606 mil famílias, ao atualizar esse cadastro, declararam que tinham melhorado de renda. "Isso mostra que a população não considera o Bolsa Família um "projeto de vida" e quer continuar avançando. Seguimos na luta", escreveu.

Segundo a petista, o programa "é muito conhecido no mundo por ter ajudado a reduzir a pobreza e ter um custo relativamente baixo: 0,47% do PIB". "Mas o Bolsa Família não é bom só pra quem recebe. É bom para o comerciante, para quem produz, para a indústria de alimentos, de roupas. Ou seja, é bom para o Brasil como um todo. Cada um real que a gente "gasta" no Bolsa Família retorna para a economia R$ 1,78. Ou seja, não é um gasto, é um investimento", afirmou.

Dilma também foi indagada sobre a concessão de reajuste ao benefício anunciado no Dia do Trabalho e se com o governo Temer poderia modificar a situação. A presidente afastada, entretanto, disse que não há razões para o reajuste não ser concedido. "O reajuste estava previsto desde agosto do ano passado, quando mandamos o Orçamento para o Congresso, que aprovou essa proposta no fim do ano. Criamos as condições para que esse reajuste seja feito, não há nada que impeça. O Bolsa Família tem 13 anos, nunca atrasamos, nunca deixou de ser pago e sempre foi uma prioridade", escreveu.

Questionada sobre como evitar fraudes no programa, Dilma afirmou que o programa tem mecanismos de controle e fiscalização e afirmou que a internauta poderia "ajudar" para evitar o uso indevido. "Se você quiser colaborar, pode usar o 0800-707-2003. Grande beijo", escreveu a presidente, que também atendeu a um pedido de uma internauta que disse que estava com saudades das postagens de "bom dia musical" que a presidente chegou a fazer durante um tempo.

"Se é para ir de música, vamos de Chico Buarque", escreveu Dilma que colocou o link da canção Apesar de Você.

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