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Pelas mãos de Renan, Collor bate PT e assume comissão no Senado

Abandonada pelo Planalto, Ideli sofreu derrota por 13 a 10, que consolida racha na base aliada e fortalece PMDB

Cida Fontes, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2009 | 00h00

Pelas mãos do PMDB e do DEM, o senador Fernando Collor (PTB-AL) conseguiu ontem voltar à cena política elegendo-se presidente da estratégica Comissão de Infraestrutura do Senado. E impôs dura derrota ao PT.Sua vitória por 13 a 10 consolidou o racha na base política do governo, fortaleceu ainda mais o PMDB e enfraqueceu politicamente o PT, que viu seu poder minguar na Casa. Ao mesmo tempo, pela segunda vez no ano, o PSDB se uniu aos petistas e apoiou a candidatura da senadora Ideli Salvatti (SC). Abandonada pelo Planalto, Ideli assistiu à ofensiva do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, em favor de Collor. E não contou com a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para impedir a candidatura de Collor e as pretensões do PTB. A senadora ainda teve de amargar as manobras de última hora comandadas pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que pôs sua tropa de choque para votar contra ela.Em 2007, quando Renan renunciou à presidência do Senado para não ser cassado, Ideli assumiu publicamente sua defesa. Ontem o peemedebista bateu boca com o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), durante a tumultuada reunião da comissão, com troca de ofensas entre aliados do governo.Irritado com a rasteira do PMDB, que cedeu para o PTB um cargo que, regimentalmente, pelo tamanho da bancada, pertencia ao PT, Mercadante não se conteve. "Foi uma aliança espúria que interferiu no direito legítimo e democrático do PT." ROXOEm entrevista, Collor se controlou para não deixar escapar um palavrão: "Espúria? Ele que vá procurar... para saber onde vai achar", gaguejou. Ao tentar elogiar Ideli, Collor disse que a respeitava, mas provocou: "Ela é uma pessoa que congrega, que reúne e cisca para dentro."Para acabar com o mal-estar, o ex-presidente, que sofreu impeachment em 1992, procurou consertar a gafe afirmando que "ciscar para dentro" é uma expressão popular no Nordeste para identificar alguém que agrega.Mas o que o deixou nervoso foi a intervenção do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). "Espero que não peça licença do Senado nos próximos dois anos", alfinetou o tucano, para acrescentar que, desde 2006, ele esteve ausente e se licenciou duas vezes do mandato.Collor respondeu com a voz embargada: "Sou um homem bastante experimentado e sofrido para chegar num momento como este e ouvir ironias. Aprendi a ser um homem cordial não somente pela educação que recebi, mas pelas experiências e pelos sofrimentos que colhi ao longo da vida pública. Mas não está apagada dentro de mim a vontade do debate, do enfrentamento e a coragem."Na avaliação de aliados do PT, como Renato Casagrande (PSB-ES), Collor tem agora um instrumento para se recolocar na política, além do mandato.

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