Pela primeira vez, SP fecha ano sem nenhum caso de sarampo

Pela primeira vez na história, o Estado de São Paulo fechou o ano sem registrar nenhum caso de sarampo. Em 2003, os paulistas ficaram livres da doença. O último caso notificado ocorreu em 2002 e foi importado do Japão. Desde 2001, não há transmissão de sarampo no Estado. A doença é de notificação obrigatória. O controle do sarampo é resultado da vacinação das crianças menores de 5 anos. Elas têm de tomar duas doses da tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba): a primeira com 1 ano e a segunda com 5. Assim, 95% das crianças paulistas estão protegidas pela vacina. "Com quase todas as crianças vacinadas, mesmo um caso de fora acaba isolado, sem desencadear a transmissão da doença", explica a pediatra e infectologista Sandra de Oliveira Campos, da Universidade Federal da São Paulo. Para manter a doença controlada, é preciso que as crianças continuem em dia com o calendário de vacinação. Além de reduzir o número de casos da doença, a vacina tem outro efeito positivo. "Estudos mostram que os casos que ocorrem apesar da vacinação têm gravidade menor", diz o epidemiologista Eliseu Alves Waldman, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Sintomas O sarampo é causado por um vírus transmitido pelo ar. Depois de uma ou duas semanas incubado, ele começa a provocar sintomas - febre alta, pele avermelhada, tosse seca, falta de apetite, fraqueza e intolerância à luz. A doença pode evoluir para complicações. "O vírus deixa o organismo predisposto à entrada de uma bactéria nos pulmões", explica o infectologista Hélio Vasconcellos Lopes, da Associação Paulista de Medicina. "O resultado é uma pneumonia, o que pode ser grave para os idosos e as crianças pequenas." Até a primeira metade dos anos 80, o sarampo era importante causa de morte entre os menores de 5 anos. "A situação de São Paulo reflete a condição de controle do restante do País em relação ao sarampo", diz Luiz Jacintho da Silva, superintendente da Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo. É meta da Organização Pan-Americana de Saúde erradicar a doença nas Américas. Silva lembra que o sarampo ainda é um problema na Itália, na Alemanha e no Japão, além dos países africanos.

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