Marcos Corrêa|PR
Marcos Corrêa|PR

Pela primeira vez, Alckmin admite facilitar porte de arma no campo

Presidenciável do PSDB defende mudança no Estatuto do Desarmamento um dia depois de Bolsonaro pedir fuzil para cada produtor rural

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2018 | 13h13

Defensor do Estatuto do Desarmamento, o ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência pelo PSDB, admitiu na quinta-feira, 17, pela primeira vez que pretende facilitar o porte de armas para a população que mora em áreas rurais, caso seja eleito. A afirmação foi feita um dia após Jair Bolsonaro, presidenciável pelo PSL, dizer que, se pudesse, daria um fuzil a cada produtor agrícola do País como forma de combater a crescente violência no campo - hoje uma das principais demandas do setor.

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Questionado sobre o posicionamento de Bolsonaro, Alckmin afirmou que preferiria dar um trator a cada fazendeiro, mas acrescentou que estuda facilitar o porte de armas para quem vive no campo. “Porte de armas pode ter. Na área rural até deve ser facilitado”, afirmou, ressaltando que, no campo, as pessoas estão muito distantes umas das outras, o que as tornaria alvo fácil. O tucano disse que morou em sítio até os 16 anos e que seu pai costumava falar que, na zona rural, as pessoas devem morar como “índios”, próximas, para que “um proteja o outro”.

O presidenciável, porém, não explicou qual seria sua proposta nem por que mudou de ideia em relação ao desarmamento. Quando governador, Alckmin sempre ressaltou que retirar arma de circulação ajudava a reduzir os índices de criminalidade. Ele costumava citar a queda de homicídios em São Paulo como consequência positiva do Estatuto do Desarmamento.

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Na quinta, o tucano apenas afirmou que não estudou detalhes sobre esse tema, mas que vai estudar. “Não quero aqui entrar nessa miudeza eleitoral”, disse, referindo-se à disputa com Bolsonaro - que, segundo pesquisas de intenção de voto, empata com Alckmin em São Paulo, Estado que o tucano governou por 13 anos não consecutivos. Ele acrescentou a questão da segurança será tratada como prioritária não apenas no campo, mas nas áreas urbanas de todo o País.

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O estudo citado pelo presidenciável está sendo feito por equipe que elabora propostas para a área da segurança, sob a coordenação de Leandro Piquet Carneiro. O Estado apurou que a ideia inicial é colocar em debate a necessidade de ajustes na atual legislação, mas sem propor uma flexibilização geral.

As declarações de Alckmin foram dadas durante apresentação da equipe que elabora a política econômica de um eventual governo tucano. Alckmin anunciou formalmente a colaboração dos economistas Persio Arida (coordenador do grupo), Edmar Bacha, José Roberto Mendonça de Barros e seu filho, Alexandre Mendonça de Barros. Os dois últimos são diretamente ligados ao setor do agronegócio no Brasil, atuando em consultorias especializadas.

Reportagem publicada pelo Estado no dia 6 mostrou que o índice de roubos e furtos em áreas rurais explodiu - caso do Mato Grosso, maior produtor de grãos do País, que registrou alta de 60% em ambos os crimes entre 2014 e 2017. 

Até aqui, esse temor dos produtores vinha sido explorado mais regularmente por Bolsonaro. Coordenador da equipe do presidenciável que elabora propostas para o agronegócio, Frederico d’Ávila (que é diretor da Sociedade Rural Brasileira), reafirmou que Bolsonaro quer devolver “o direito de defesa” a todo cidadão, seja ele rural ou urbano.

“Esse direito, cassado pelo governo do PT com o Estatuto do Desarmamento, trata-se de base fundamental para a paz no campo. Há muito tempo a falta de segurança não é mais problema restrito a grandes cidades. Aterroriza o homem do campo em todo País, que paga mais caro por aquilo que precisa para produzir”, disse Frederico, irmão de Luiz Felipe d’Ávila, coordenador da campanha de Alckmin na área social.

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