Pela presidência do Senado, petista assedia tucanos

Viana deverá se encontrar nos próximos dias com o governador Serra

Cida Fontes, O Estadao de S.Paulo

11 de novembro de 2008 | 00h00

Diante da resistência do PMDB e sem apoio do DEM, que defende a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP), Tião Viana (PT-AC) vai assediar o PSDB em busca de votos para a disputa da presidência do Senado. Ele deverá se encontrar nos próximos dias com o governador de São Paulo, José Serra, com quem mantém boas relações. Os dois tiveram, no sábado, uma "amável" conversa, segundo palavras do petista, durante encontro informal na cerimônia de casamento da filha do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), em Fortaleza."Na gestão de Serra no Ministério da Saúde atuei como uma espécie de embaixador da saúde no Congresso. Fui um militante da Emenda 29", ressaltou Viana, referindo-se à proposta de emenda constitucional que aumenta os recursos para a saúde. Ele procurou tranqüilizar Serra: se eleito, vai trabalhar para que, até 2010, o Senado e os partidos - independentemente de serem da oposição ou do governo - estejam fortalecidos. Os senadores do PSDB, no entanto, enfrentam um dilema. De um lado, a volta de Sarney à presidência do Senado poderia trazer dificuldades a Serra, por causa das rusgas entre a família Sarney e o governador. E, se os tucanos fecharem com Viana, temem dar mais poder ao PT justamente nos próximos dois anos, quando serão montadas as alianças para 2010. Ao mesmo tempo, fechariam as portas para o PMDB.Depois de falar ao telefone com Sarney na sexta-feira, Viana conversou ontem pessoalmente com o peemedebista. "Foi muito positiva", disse o petista. Sarney tem repetido que, apesar das pressões de setores da bancada do PMDB, não quer voltar à cadeira de presidente. Foi o que disse também ao presidente Lula. Mesmo assim, muitos no PMDB acreditam que deseja ser ungido ao cargo. Embora tenha afirmado que não deseja se envolver na disputa, Serra está atento às articulações e é informado diariamente pelo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).Na Câmara, enquanto o DEM tem se mostrado contrário à candidatura do presidente do PMDB, Michel Temer (SP), o PSDB pretende apoiá-lo fazendo assim um gesto político de aproximação do partido com o PMDB, já pensando em 2010.

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