Pela PF, Protógenes seguiria na Satiagraha, diz Genro

Antes mesmo de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer hoje que o delegado Protógenes Queiroz deve ficar no comando da Operação Satiagraha até o término das investigações, o ministro da Justiça, Tarso Genro, já negava que tivesse imposto o afastamento do delegado do caso. "O delegado só não ficou fazendo o inquérito porque não quis. Ele poderia continuar e fazer o relatório, mas a saída foi um ato de vontade própria", afirmou Tarso. "Por nós, pela direção-geral da PF, ele continuaria fazendo o seu trabalho."O ministro disse que o afastamento de Protógenes não prejudicaria as investigações porque há pessoas "capacitadas" para o trabalho na PF, "com a mesma competência e responsabilidade" do delegado. Na tentativa de amenizar o mal-estar causado com a divulgação da notícia de que Protógenes e mais dois delegados (Carlos Eduardo Pellegrini Magro e Karina Murakami Souza) foram "convidados" a se afastar da equipe por insubordinação, Tarso afirmou que a saída do grupo não foi compulsória. "Na minha opinião, esta saída não é nem conveniente", disse.Questionado se Protógenes não teria ficado "constrangido" com a sindicância determinada pelo Ministério da Justiça para verificar quem permitiu que uma emissora de TV filmasse a prisão do sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, do megainvestidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, Tarso disse não acreditar nessa versão. "Seria uma contradição inaceitável uma pessoa capacitada, que fez um inquérito dessa natureza, ficar constrangida", argumentou. Para o ministro, Protógenes cometeu apenas eventual erro "aqui ou ali".Para espantar a crise, Tarso Genro disse que a reunião de segunda-feira à noite, na sede da PF, em São Paulo, quando o delegado teria anunciado a sua decisão de deixar o comando das investigações da Satiagraha, não teve o objetivo de pressionar Protógenes, como foi divulgado. "Nesta reunião, ele manifestou sua posição a respeito do apoio que teve dos seus superiores e mostrou o desejo de sair", afirmou o ministro.

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