Pela 2ª vez, CNJ adia julgamento do juiz do caso Dantas

Pedido foi feito por deputado depois da revelação de que De Sanctis havia repassado senhas a policiais

Andréia Sadi, do estadao.com.br

02 de dezembro de 2008 | 15h49

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adiou, pela segunda vez, o julgamento que discutiria a abertura - ou não - de um processo administrativo contra o juiz Fausto De Sanctis, responsável pelos pedidos de prisão contra o banqueiro Daniel Dantas.  A assessoria do órgão, no entanto, disse ao estadao.com.br que o adiamento da sessão não tem relação com a condenação do banqueiro a 10 anos de prisão pela Justiça nesta manhã. "O corregedor (Gilson Dipp) não achou adequado entrar na pauta e isso foi decidido na semana passada", informou.   Veja também: Ao condenar Dantas, juiz aproveita para se defender e cita STF Justiça condena Dantas a dez anos por corrupção Leia a íntegra da decisão do juiz De Sanctis  MP pode recorrer para pedir pena maior  Advogado diz que processo é 'absolutamente nulo'   Novo relatório da Satiagraha é 'reprodução', diz Protógenes As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual As prisões de Daniel Dantas  Os alvos da Operação Satiagraha      A reclamação contra De Sanctis foi feita em setembro pelo deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), depois da revelação de que o juiz havia repassado a policiais federais senhas que dão acesso irrestrito a cadastros e históricos de ligações telefônicas. O corregedor do CNJ, Gilson Dipp, arquivou a ação, mas o parlamentar recorreu.   Na primeira vez, o corregedor do CNJ, Gilson Dipp, decidiu adiar o julgamento porque presidia a sessão no lugar do ministro Gilmar Mendes, que estava em viagem à Alemanha.     Foi De Sanctis quem decretou as prisões do banqueiro durante a Operação Satiagraha, a pedido do delegado Protógenes Queiroz. Nas duas, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concedeu habeas corpus a Dantas.     Condenação   A Justiça Federal de São Paulo condenou nesta terça o banqueiro  Dantas dez anos de prisão por corrupção ativa e multa de R$ 12 milhões. O juiz Fausto De Sanctis, no entanto, não decretou a prisão imediata de Dantas em sua sentença. Dantas é acusado de tentar subornar um agente policial com US$ 1 milhão para se livrar das investigações da Operação Satiagraha. A defesa do banqueiro nega as acusações.   Também foram condenados Humberto Braz e Hugo Chicaroni, aliados de Dantas, a sete anos e um mês de prisão. O primeiro terá de pagar multa de R$ 1,5 milhão e o segundo, R$ 594 mil. Assim, como o banqueiro, eles podem recorrer da condenação em liberdade.

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