Pela 1ª vez, PT fica sem prefeituras no ABC

Região onde o partido nasceu não terá representante da sigla nas sete cidades

Walmar Hupsel Filho, Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2016 | 06h52

Com o insucesso dos dois únicos candidatos do PT no ABC paulista, ambos prefeitos que tentavam a reeleição, o partido não vai administrar prefeituras no seu berço político a partir de janeiro de 2017 – um fenômeno que acontece pela primeira vez desde 1982. Dos quatro municípios da região que tiveram segundo turno, dois elegeram prefeitos do PSDB, um do PSB e um do PV. Nas outras três cidades que formam a região do ABC, São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, o partido também não elegeu prefeitos.

São Bernardo do Campo, a maior cidade do ABC, escolheu ontem Orlando Morando (PSDB). Ele obteve 59,94% dos votos válidos contra 40,06% de Alex Manente (PPS).

Morando disse que uma das suas primeiras medidas será fazer uma reforma administrativa, com imediata redução do número de secretarias e de cargos comissionados, e acabar com regalias como carro oficial. “Todos aqueles petistas que vieram do Brasil inteiro e que estão em cargos comissionados vão retornar para suas cidades de origem.”

O prefeito eleito de São Bernardo do Campo creditou a derrota do PT no ABC à alta taxa de desemprego. “O PT ganhou representação política nacional, porque representou os trabalhadores e se tornou o partido que mais gerou desemprego no País. São Bernardo tem 18% da população desempregada enquanto no Brasil é 12%”, disse.

Em Santo André, os eleitores escolheram Paulo Serra (PSDB) para administrar a cidade nos próximos quatro anos. O tucano obteve 78,21% de votos e venceu a disputa contra 21,79% do atual prefeito, Carlos Grana (PT). O petista ficou, praticamente, com o mesmo número de votos do primeiro turno. Secretário de obras e serviços públicos da gestão municipal petista até o meio de 2015, Serra deixou o PSD e entrou para o PSDB no ano passado.

Ele disse que se “surpreendeu muito” com o número de votos que teve, porque não esperava votação tão expressiva. Para ele, o PT errou “por trair a confiança” do eleitor. “É um partido que foi criado com princípios éticos, numa gestão que seria com participação de todos e, na prática, não foi isso que se verificou. A gestão tem que ser para todos”, afirmou.

Mesmo com a derrota, Grana usou tom otimista ao falar com militantes no diretório municipal do PT. Disse que é preciso ficar atento a essa “onda de direita que tomou conta do País”. Como nova oposição, pediu que petistas e partidos aliados se articulem para que não haja retirada de direitos. Ele ainda disse que PT não foi partido criado só para disputar eleição, mas também para mudar a sociedade.

“Precisamos reconstruir nossa relação com a sociedade. Recuperar a credibilidade e não vejo outro forma a não ser recuperar os princípios que nortearam a criação do partido”, afirmou.

Em Diadema, onde o PT elegeu o primeiro prefeito da sua história (Gilson Menezes, hoje no PDT, em 1982), Lauro Michels (PV), foi reeleito com 57,7% dos votos válidos, derrotando o candidato Vaguinho, do PRB, com 42,3% dos votos.

Em Mauá, Átila Jacomussi (PSB) foi o mais votado. Ele obteve 64,47% dos votos válidos contra 35,53% do atual prefeito, Donisete Braga (PT). “Esta cidade iniciou uma nova era”, disse Jacomussi após a vitória. / COLABOROU ANDRÉ ÍTALO ROCHA

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