Peemedebistas elogiam negociações da sigla na reforma ministerial

Reunidos em um ato público que lançou os nomes dos candidatos da PMDB a prefeito no Rio, Eduardo Paes, Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, defenderam Dilma

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 17h20

RIO - Na contramão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem criticado a ampliação do peso do partido no governo, peemedebistas do Rio de Janeiro elogiaram nesta quinta-feira, 24, a forma como o líder na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), tem conduzido as negociações com a presidente Dilma Rousseff. Depois do aceno de Dilma por mais espaço para o PMDB, o partido foi decisivo para manter os vetos presidenciais, em sessão do Congresso realizada, nesta terça-feira, 22. 

Reunidos em um ato público que lançou os nomes dos candidatos do PMDB a prefeito no Estado, o prefeito Eduardo Paes, o governador Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, pai do líder na Câmara, defenderam a presidente e atacaram o movimento pelo impeachment. "O líder soube se colocar lá, mostrar a importância de o PMDB ter um espaço maior no governo. Todos nós estamos lutando pela governabilidade. Um processo desse que estava instalado não leva a nada, leva a aprofundar a crise econômica. Agora é todo mundo unido para salvar esse País, baixar o dólar, melhorar o ambiente econômico, valorizar a democracia. Aqui não é uma república das bananas", disse Pezão em entrevista.

O governador reiterou a tese da candidatura própria do PMDB na sucessão de Dilma. "Cada vez o PMDB vai ser mais importante para o País. E preparando para 2018, com nosso (candidato a) presidente", declarou.

Jorge Picciani minimizou a importância do encontro nacional do PMDB, marcado para 15 de novembro, quando o partido decidirá a permanência ou saída do governo Dilma. Segundo Picciani, que apoiou o tucano Aécio Neves na disputa presidencial de 2014, mas rejeita o afastamento da presidente,  o encontro não tem poder deliberativo. "É uma reunião informal, de grande valor no PMDB (...) Mas só uma nova convenção nacional pode decidir. Não se desmancha uma convenção nacional, e eu fui contra a aliança com o PT e perdi. Essa reunião não pode decidir, não é fórum para decisão", afirmou. O presidente do PMDB-RJ afirmou que "sair ou estar no governo é irrelevante".

"Para nós, importante é a governabilidade, somos de uma escola democrática em que se luta para derrotar o adversário até as 17 horas do dia da eleição, depois se respeita a decisão do povo. Nesse momento grave de crise política, econômica, financeira, onde quem mais perde são os mais pobres, nós queremos estabilidade e que a presidente Dilma tenha condições de governar", afirmou Picciani. 

O prefeito Eduardo Paes repetiu o tom do discurso, de defesa da presidente Dilma e ataque aos políticos que trabalham pelo impeachment. "A gente não pode permanecer em ambiente de crise política aguda eternamente. Personagens que buscam tumultuar a cena política, supostamente prejudicando a presidenta Dilma, prejudicam o Brasil (...) A presidenta Dilma é uma pessoa decente, correta, não cometeu nenhum crime de responsabilidade, ou, se cometeu, ninguém apurou, ninguém provou nem está provando", declarou.

Paes disse ter ouvido muitas queixas de prefeitos de pequenas e médias cidades em grave crise financeira. "Na prefeitura da capital, você se vira, tem base de arrecadação, não depende do Fundo de Participação (dos Municípios). Mas tem prefeito dizendo que tem vontade de renunciar. Isso é fruto de problemas econômicos, ninguém nega, ajustes têm que ser feitos na economia, mas de muita instabilidade política, de um grau de radicalismo exagerado", disse Paes.

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