Wendel Lopes/PMDB/Divulgação
Wendel Lopes/PMDB/Divulgação

Peemedebista crítico do governo Dilma vai disputar liderança na Câmara

Lúcio Vieira Lima (BA), um dos deputados com mais ressalvas à aliança com o PT, vai enfrentar José Priante (PA) e Leonardo Picciani (RJ)

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2015 | 11h48

Atualizado às 13h30

Brasília - O deputado Lúcio Vieira Lima (BA) foi escolhido, na noite de segunda-feira, 9, como um dos candidatos à liderança do PMDB na Câmara. O baiano recebeu apoio dos grupos de outros pré-candidatos da bancada, parte deles crítica à aliança com o PT no governo federal. Ele vai disputar o posto contra os deputados José Priante (PA), mais próximo do Palácio do Planalto, e Leonardo Picciani (RJ), filho do presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, um dos articuladores na campanha eleitoral do movimento Aezão - apoio a Luiz Fernando Pezão (PMDB) ao governo estadual e a Aécio Neves (PSDB) na disputa presidencial. A escolha do líder do PMDB será na quarta-feira, 11.

Lúcio disputava a indicação de parte da bancada com Danilo Forte (CE), outro crítico da aliança com o PT, além de Marcelo Castro (PI) e Manoel Júnior (PB), mais conciliadores na relação com o partido da presidente Dilma Rousseff. Os preteridos devem receber, como "prêmio de consolação", o comando de CPIs que caberão ao bloco formado pelo PMDB para eleger Eduardo Cunha (RJ) presidente da Câmara, como a que investigará o esquema de corrupção na Petrobrás.

A escolha do próximo líder do PMDB será preponderante para definir que relação o partido rebelde da base aliada terá com o PT e com o governo Dilma. Dos três candidatos a líder, apenas Priante apoiou a reeleição da presidente no ano passado. Os demais fizeram campanha para Aécio.

A atribuição de um líder partidário envolve atividades relacionadas à articulação política. Cabe a esse parlamentar representar o posicionamento da bancada na Câmara, tratar de votações importantes na Casa e orientar o voto dos demais colegas. De acordo com o tamanho da bancada que representa, um líder pode pedir votação secreta, regime de prioridade ou mesmo solicitar que determinada proposta seja votada com urgência.

Prefeitura. Um dos adversários de Lúcio Vieira Lima, Leonardo Picciani tem pretensão de disputar a prefeitura do Rio e quer ser líder já neste ano para se cacifar politicamente. No entanto, ele vem sendo isolado pelos outros adversários, que se dizem contrários à hegemonia do PMDB do Rio de Janeiro, que, além de ter a presidência da Câmara, comanda o governo fluminense e a prefeitura da capital. Apesar de seus adversários difundirem a versão de que desistiu da disputa, José Priante disse ao Estado na manhã desta terça-feira (10) que é candidato.

Eduardo Cunha tem procurado se manter neutro na disputa porque, na eleição para presidente da Câmara, foi apoiado por todos os peemedebistas que agora disputam a liderança.

Segundo Danilo Forte, a bancada já estava dividida e, por isso, o grupo que se reuniu na noite de segunda entendeu que era preciso chegar a um consenso. O apoio da bancada do Rio Grande do Sul foi preponderante para a escolha do parlamentar baiano, segundo Forte. Os gaúchos representam 5 dos 66 deputados peemedebistas em exercício, mesmo tamanho da bancada fluminense.

Lúcio Vieira Lima não foi localizado pela reportagem, mas confirmou sua escolha pelo Twitter: "Fui escolhido para ser o consenso entre cinco [na verdade, quatro] candidatos que queriam preservar a unidade do partido", afirmou o deputado na rede social.

Quem for escolhido na votação desta quarta-feira terá a liderança por apenas um ano. O partido chegou a cogitar eleger quatro nomes que se revezariam durante esta legislatura, mas a proposta foi descartada.

A relação entre PT e PMDB, que já era tensa, piorou depois que o governo passou a priorizar o PSD do agora ministro Gilberto Kassab (Cidades). Segundo peemedebistas, a crise chegou a seu "pior momento" depois que o Planalto resolveu interferir na disputa pela presidência da Câmara, escalando ministros como cabos eleitorais do candidato governista derrotado, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

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