Pedro Abramovay é cotado para o lugar de Tuma Júnior

Situação do secretário nacional de Justiça piora após inquérito da PF que investiga sua ligação com chefe da máfia chinesa

Tânia Monteiro , O Estado de S.Paulo

29 Maio 2010 | 08h40

A duas semanas do fim de suas férias forçadas, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, está cada vez mais distante de sua cadeira no Ministério da Justiça.

 

Na avaliação de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar o secretário o deixou em situação delicada.

 

No cenário pouco favorável a Tuma, alguns nomes começam a ser aventados pelo governo para ocupar a Secretaria. Um dos candidatos é Pedro Abramovay, que deixou a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça neste ano para concorrer ao posto de diretor executivo do Escritório da ONU para o Combate ao Crime e Drogas.

 

Apesar da recomendação de que se afastasse do posto, enquanto durasse o inquérito para apurar as acusações sobre sua possível ligação com a máfia chinesa em São Paulo, Tuma Júnior preferiu pedir férias de 30 dias, a contar do dia 13 de maio.

 

"Politicamente é um problema", comentou um dos auxiliares do presidente Lula, ressalvando, no entanto, que ainda não há acusações definitivas contra o secretário.

 

Interceptações. No início deste mês, o Estado revelou que investigações da Polícia Federal acabaram por mostrar ligações de Tuma Júnior com Li Kwok Kwen, o Paulo Li, apontado pela Polícia Federal como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo. Gravações telefônicas mostraram que, de seu posto no Ministério da Justiça, ele auxiliava Paulo Li a solucionar processos de regularização da permanência de chineses em situação ilegal no País.

 

A operação montada no governo para evitar o retorno de Tuma e o repique das denúncias visa a convencer o secretário de que ele não tem mais condições técnicas de permanecer no ministério, de onde comanda, por exemplo, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria.

 

Neste período, espera-se ainda que a Comissão de Ética da Presidência da República apresente um parecer condenando o seu comportamento e as ligações perigosas que mantém, incompatíveis com o cargo que exerce, forçando a sua saída.

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