Pedrinho pede a pai que suspenda processo contra mãe adotiva

Osvaldo Borges Junior, o Pedrinho, o rapaz que foi reencontrado na semana passada, 17 anos depois de ter sido seqüestrado da maternidade com apenas um dia de vida, telefonou nesta quarta-feira ao pai biológico, Jayro Tapajós Braule Pinto, para pedir que sejam suspensas as investigações para identificar os autores do rapto. A polícia aponta a mãe adotiva do rapaz, Vilma Martins Costa, como uma das suspeitas do crime.No telefonema, Pedrinho estava bastante nervoso, segundo Jayro.?Expliquei a ele que há uma investigação determinada pelo ministério público, sobre a qual não temos qualquer influência?, contou Jayro Tapajós. Ele considerou natural a preocupação do rapaz. ?Meu filho não conhece esses detalhes técnicos e jurídicos.?O delegado-chefe da Delegacia de Homícídios, Luiz Julião, e o delegado Hertz Andrade Santos, que investigam o caso, passaram o dia em Goiânia ouvindo pessoas da família de Junior/Pedrinho. Os delegados pretendiam ouvir oito pessoas, entre elas a mãe adotiva do rapaz.Integrantes da Delegacia de Homicídios informaram que a operação era sigilosa e que os delegados só retornariam a Brasília tarde da noite. Na passagem por Goiânia, os delegados pretendiam também ouvir a informante que ajudou a polícia a localizar Júnior. O Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal já iniciou o processo de envelhecimento do retrato falado da seqüestradora que a mãe biológica, Maria Auxiliadora Rosalino Braule Pinto, a Lia, ajudou os peritos a desenharem, logo após o desaparecimento do filho. O instituto também está rovidenciando o rejuvenecimento da foto da mãe adotiva para comparar com o retrato falado. Enquanto a polícia tentam identificar os responsáveis pelo rapto do bebê, os pais biológicos só pensam no processo de aproximação com o filho. Eles querem preservar o rapaz. ?Quem mais está sofrendo com essa história toda é o meu filho?, afirmou Jayro, que está preocupado em descobrir o caminho para conquistar Júnior, que já declarou que não quer trocar de nome. ?Ele está passando por tantas coisas difíceis.? Jayro, que vem concedendo entrevistas como forma de manter uma comunicação indireta com o filho, observou que o rapaz tem muito equilíbrio e inteligência. ?Só o tempo fará com que ele aceite a nova realidade?, reconhece o pai, reafirmando que ele e sua mulher Lia sempre amaram o filho, mesmo ele estando desaparecido. ?A gente só tem amor para dar a ele e espero que aceite o nosso amor?, repete o pai.Jayro e Lia reencontram o filho, pela primeira vez depois doseqüestro, no domingo passado em Aparecida de Goiânia, a 15 quilômetros da capital de Goiás. A mãe adotiva participou do encontro e do almoço com a família em uma churrascaria. Os pais biológicos revelam que gostariam de ter trazido o filho para Brasília. Sem sucesso. Júnior quer continuar ao lado de Vilma, que até a semana passada conhecia como sua mãe verdadeira. Ele não sabia que era adotado, mas teste de DNA confirmou que era o filho dos Braule Pinto.

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