Pedido para Sarney se licenciar é de Mercadante, diz Dirceu

Em blog, ex-ministro da Casa Civil faz coro com Berzoini e diz que pedido contra senador 'é do líder' Mercadante

29 de julho de 2009 | 15h53

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, reafirmou nesta quarta-feira, 29, em seu blog, a posição do presidente do PT, Ricardo Berzoini, que questiona que o pedido de licença de José Sarney tenha sido feita por todos os 12 senadores do partido. Para Dirceu, a opinião é do líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante (SP). "O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), deixou claro a postura do partido: o pedido é do líder e não da bancada petista, e também que o PT não assinará representação contra o presidente da Câmara Alta", escreveu Dirceu.

 

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Na prática, o vaivém do PT em relação à crise no Senado dura mais de um mês. Oito dos 12 senadores petistas são a favor do afastamento de Sarney - posição já manifestada em outras notas -, mas, como foram enquadrados pelo Planalto, protagonizam uma espécie de contorcionismo verbal, pois não podem se juntar à oposição para tirar o senador do posto.

 

Em nota divulgada à imprensa, Mercadante reiterou a posição do partido em defender a licença de Sarney  da presidência do Senado. "O que nós avaliamos é que isso não é um movimento do PT", disse Múcio após reunião de coordenação política. "Imaginamos que seja o posicionamento de um ou dois senadores", insistiu.

 

O líder quer evitar entrar em uma discussão pública sobre a declaração do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que minimizou a nota.  Mercadante - que se sentiu desautorizado pelo governo com a declaração de José Múcio - recebeu telefonemas do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que foi escalado pelo governo para botar panos quentes na história, e também do próprio Múcio, que teria lhe explicado que tudo não passava de um mal-entendido. A assessoria de imprensa de José Múcio informa que a conversa foi tranquila e, "pela parte do ministro, tudo já está resolvido".

 

Apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter orientado o PT a não endossar o coro pelo afastamento de José Sarney da presidência do Senado, o partido pediu, por duas vezes, em notas divulgadas à imprensa, que o peemedebista se licenciasse do cargo. Na última manifestação a liderança do PT disse que a denúncia de que Sarney teria intercedido pela contratação do namorado de sua neta no Senado, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, era "grave" porque "há indícios concretos da associação do presidente do Senado, José Sarney, em ato secreto".

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