Pedido de vista pode adiar votação do caso Renan

Senadores do PMDB pedem prazo de 30 dias, mas democrata diz que regimento só permite cinco dias

30 de agosto de 2007 | 16h59

O senador Gilvan Borges (PMDB-AP) anunciou que pedirá vista do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética da Casa. Essa estratégia impedirá a votação do relatório do senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) ainda hoje. Gilvan anunciou a decisão na tribuna do Senado. Ele foi irônico: "Vou pedir vista por 30 dias". O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) replicou que "o regimento só permite por cinco dias".  Veja também: Íntregra do relatório que pede a cassação de RenanRelatório oficial do Conselho pede cassação de RenanNo Conselho de Ética, PSDB pede voto aberto no caso RenanPSOL faz protesto contra voto secreto no caso RenanEm última manobra, Renan tenta voto secreto no ConselhoEnquete: Você acredita que Renan será cassado?  Cronologia do caso Renan    Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Veja especial sobre o caso Renan   Os aliados de Renan Calheiros tentaram negociar com a oposição na tentativa de fazer um acordo pelo qual suspenderia o pedido de vista se a votação for secreta. A oposição insiste em que a votação seja aberta. Neste processo, o presidente do Senado é acusado de ter despesas pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior.  Na sessão do conselho desta quinta, os relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS)  apresentaram seu relatório sobre o caso, que pede a  cassação do presidente do Senado. Segundo o documento, o senador teria mentido e não conseguiu explicar a origem dos seus recursos. Renan é investigado por supostamente ter permitido que a empreiteira Mendes Júnior pagasse despesas pessoais suas.  No texto, os dois senadores dizem que "o conjunto das irregularidades encontradas na conduta do representado senador Renan Calheiros aponta cabalmente no sentido da quebra de decoro". "Do ponto de vista processual, o representado faltou com o dever de verdade ao Conselho de Ética e, conseqüentemente, ao Senado Federal e ao Congresso Nacional, do qual é Presidente", diz o relatório. Bate-boca Em sessão tensa no Conselho de Ética, o relator e aliado de Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Almeida Lima (PMDB-SP), discutiu com senadores da oposição porque quer apresentar também seu relatório que pede arquivamento do primeiro caso contra Renan. Lima alega que não vê indícios contra o presidente do Senado, em oposição ao documento a ser lido pelos outros dois relatores do caso: Marisa Serrano (PSDB) e Renato Casagrande (PSB). Lima insiste na leitura do documento de "quatro laudas" e se levantou na Mesa, fazendo um discurso, alegando que "estão castrando minha palavra". Devido aos ânimos exaltados, a sessão foi interrompida por cerca de 10 minutos.   Exaltado, o peemedebista atacou os tucanos Tasso Jereissati e Arthur Virgilio, que pediram à Mesa do Senado que o voto sobre o primeiro caso envolvendo o presidente do Senado fosse aberto. "Vocês poderiam me esclarecer o que impede a manifestação de regras claras para saber como vai ser a votação final? Por que não resolvemos isso abertamente?", questiona Virgilio. Casagrande discorda sobre a leitura de dois pareceres. Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. Os R$ 12 mil mensais eram destinados para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha fora do casamento. Renan tentou provar por meio de vasta documentação que tinha renda suficiente e não precisa dos recursos da construtora. Mas laudo da perícia sobre os papéis apresentados mostra irregularidades e versões contraditórias.

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