Pedido de vista impede que cassação de Argôlo seja votada

Ao todo, três deputados pediram para suspender a votação do parecer que pede a perda do mandato de Luiz Argôlo (SD-BA), acusado de receber dinheiro e favores do doleiro Alberto Youssef

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 18h54

 Brasília - Um pedido de vista em conjunto impediu a votação nesta tarde do parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) pedindo a cassação do mandato de Luiz Argôlo (SD-BA). Argôlo responde a dois processos por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara devido sua relação com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. O parlamentar é acusado de receber dinheiro e favores de Youssef.

Os pedidos de vista vieram dos deputados Sérgio Brito (PSD-BA), Wladimir Costa (SD-PA) e Pastor Eurico (PSB-PE). O relatório só voltará a ser discutido na sessão do dia 22 de outubro ou no prazo final para votação, em 29 de outubro. 

Argôlo não compareceu à sessão do Conselho de Ética, mas foi representado pelo seu pai, Manoelito Argôlo, e o irmão, Manoelito Argôlo Júnior. "É cachorrada", disse o pai do deputado na saída da reunião. 

Segundo o relator, durante o processo, ficou claro que houve quebra de decoro por parte de Argôlo, uma vez que ele atuava "ora como cliente de Alberto Youssef, recebendo dinheiro para si próprio e outros beneficiários". O relatório diz que Argôlo intermediava contatos com empresas, tinha suas operações financiadas pelo doleiro e ainda pedia favores, como ajuda para interferir em licitações. "Houve evidente quebra de decoro", declarou Marcos Rogério. 

O presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), afirmou que o pedido de vista não surpreendeu. Ele alertou que o processo contra Argôlo ainda pode se estender até dezembro se a defesa recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), como fez o deputado André Vargas (sem partido-PR). 

Izar lembrou que os julgamentos de Argôlo e Vargas precisam passar pelo crivo do plenário para que os parlamentares fiquem inelegíveis por oito anos. Vargas e Argôlo não disputaram a reeleição, mas trabalham para que a cassação não seja votada pelo plenário. "O Conselho fez a parte dele. A presidência (da Câmara) não vai deixar de colocar, no final de seu mandato, esses dois processos para serem julgados. Fica até feio", comentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.