Pedido de intervenção militar racha passeata anti-Dilma na Paulista

Pedido de intervenção militar racha passeata anti-Dilma na Paulista

Em protesto de 10 mil pessoas, pedido de ação contra a presidente Dilma é rejeitado por três dos quatro grupos que organizaram evento

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

15 Novembro 2014 | 15h42

Atualizado às 21h00

Cerca de 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, promoveram neste sábado, 15, na Avenida Paulista, em São Paulo, um ato de repúdio à presidente Dilma Rousseff (PT). Protestos semelhantes reuniram em torno de 400 pessoas em Brasília, 150 no Rio e 150 em Belo Horizonte.

Em São Paulo, havia quatro grupos de manifestantes com propostas e bandeiras diferentes, que acabaram se dividindo. Cada um contava com carro de som próprio, o que levou o vão livre do Masp, onde ocorreu a concentração, a se transformar em uma batalha de microfones. A principal divergência entre eles era quanto à proposta de uma intervenção militar para tirar a presidente Dilma Rousseff do poder. Levada por um dos grupos, a tese foi rejeitada pelos outros três. Na rua havia cartazes com frases do tipo “Intervenção Já” ou pedindo que as Forças Armadas “tirem o PT do poder”.

Acompanhando o evento na calçada, sem participar de qualquer grupo, o senador Aloysio Nunes, que foi candidato a vice de Aécio Neves na chapa presidencial do PSDB, disse que “há um exagero da imprensa em relação a meia dúzia de gatos pingados que defendem a intervenção militar”. E acrescentou: “É evidente que sou contra e o PSDB também”.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, eleito por São Paulo, também amenizou: “Não é o momento de pedir intervenção militar”. Em evento similar na semana passada, ele foi fotografado com revólver na cintura. Desta vez, disse estar desarmado: “Tem gente armada por mim por aí”. Uma mulher que se apresentou como amiga do cantor Lobão avisou que o músico não iria se persistissem os gritos em defesa dos militares.

Entre os manifestantes havia militantes e eleitores do PSDB com bandeiras de Aécio. O partido tem evitado vincular-se aos grupos radicais que pedem o impeachment da presidente. Segundo Aloysio, o impeachment “pode vir a ser colocado” dependendo das investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. “O que nós queremos é a apuração”, afirmou.

Em Brasília, os 400 manifestantes ocuparam duas faixas do Eixo Monumental com cartazes dizendo “Chega de fazer o diabo com o Brasil”, “Fora PT”, e “Intervenção Militar Já”. Eles queimaram dois bonecos, um de Dilma e outro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No Rio, o protesto ocorreu na orla de Copacabana, onde foram entoados refrões como “Um, dois, três, Dilma no xadrez”. Em discurso, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse que as Forças Armadas “são tão vítimas quanto nós”. Na manifestação de Belo Horizonte um dos cartazes dizia “A eleição foi golpe” e um dos organizadores afirmava que o ato era apartidário. / COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA, IDIANA TOMAZELLI E MARCELO PORTELA

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