Estadão
Estadão

Pedido de impeachment de Richa é protocolado na Assembleia do PR

Governador teria cometido crime de responsabilidade no protesto de professores, afirmam juristas que assinaram o documento

Júlio César Lima, especial para a Agência Estado , O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2015 | 21h08

Curitiba - O pedido de impeachment do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), foi protocolado nesta segunda-feira, 25, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) por um grupo de juristas. Eles argumentam que o governador cometeu crime de responsabilidade na ação da Polícia Militar durante manifestação de professores em Curitiba, que resultou em mais de 200 feridos. 

A iniciativa partiu do advogado Tarso Cabral Violin, membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) e que mantém um blog político. "Se ele não mandou, deixou acontecer por duas horas consecutivas, mesmo com ligações do ministro da Justiça, de senadores, e depois, à noite, defendeu a ação da Polícia Militar", disse.

Com a petição entregue, o advogado acredita que a pressão popular pode dar um fôlego a mais nesse inédito processo de impeachment de um governador paranaense. "Haveria um tribunal especial, com cinco deputados, cinco advogados e cinco desembargadores. Acredito que com a pressão popular será possível, mas se não houver, será difícil", comentou. 

Violin conta que estava no Centro Cívico no dia 29 de abril quando ocorreu a confusão. "Levei estilhaços de bala, a dois centímetros do olho, poderia ter ficado cego. A partir dali houve uma espécie de tribunal moral, na federal (Universidade Federal do Paraná) para julgar o que havia ocorrido. O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello disse que caberia um pedido de impeachment e, em face disso, eu fiz uma petição. Agora esperamos que a Alep dê continuidade", comentou.

O impeachment de governadores no Brasil tem sido fato isolado na história política do País. O primeiro a ser afastado foi o governador de Alagoas, Muniz Falcão, que em 13 de setembro de 1957 foi impedido de continuar no cargo, mas a votação não chegou ao final por causa de um confronto entre partidários de Falcão e da oposição. O caso parou nas mãos do então presidente Juscelino Kubitschek, que decretou intervenção federal. Em 24 de janeiro do ano seguinte, o STF reconduziu Falcão ao cargo. 

Tudo o que sabemos sobre:
impeachmentbeto richa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.