Pedido de impeachment contra governador do ES pode ser arquivado

A Assembléia Legislativa do Espírito Santo deverá arquivar nesta terça-feira, pela segunda vez em menos de um ano, um pedido de impeachment contra o governador José Ignácio Ferreira (PTN), que responde a inquéritos por supostos crimes contra o sistema financeiro e de corrupção. O presidente da Casa, José Carlos Gratz (PFL), já anunciou que pedirá o arquivamento do projeto, apresentado pela segunda vez pela oposição, em novembro passado.Para o deputado Cláudio Vereza (PT), embora Gratz ache que o pedido não cabe por ser 2002 o último ano do mandato do governador, há fatos novos que justificam a segunda votação. "Após o dia 7 de julho, quando foi feito o primeiro pedido, apareceram outras denúncias na CPI da Propina, entre elas o relatório do Banco Central sobre um empréstimo de R$ 2,6 milhões feito pelo governador na campanha eleitoral, pelo qual o Ministério Público pediu o indiciamento dele", disse Vereza.Ele afirmou acreditar que a oposição - que na votação do primeiro pedido teve 13 dos 16 votos necessários para iniciar o processo - perderá novamente. "Agora, o quadro mudou no sentido de que o governador tem mais apoio", disse, denunciando supostas "negociações" de Ignácio com alguns parlamentares.Também são citadas no segundo pedido de impeachment outras acusações, como o de supostos desvios de R$ 5 milhões da Secretaria de Educação, de mais de R$ 2 milhões do Departamento de Estradas de Rodagem e de recursos de cooperativas de crédito, supostamente beneficiando um esquema ligado ao governo estadual.O primeiro pedido citava problemas envolvendo anistia fiscal a distribuidoras de derivados de petróleo e o suposto desvio de verbas do Fundo de Desenvolvimento de Atividades Portuárias (Fundap), entre outros.A oposição (PT, PSB e PPS), com apoio da CUT, acusa Ignácio de omissão e cumplicidade. A maioria das acusações surgiu a partir da CPI da Propina da Assembléia Legislativa capixaba. Em defesa do governador, seus partidários apresentam o relatório da própria CPI, que não acusa diretamente Ignácio. "As denúncias contra Ignácio não foram abordadas", disse o parlamentar petista. Vereza, que era o único integrante da oposição na comissão, alegou que os demais procuraram evitar o envolvimento do governador. A crise política aberta pelas denúncias acabou levando-o a trocar o PSDB pelo PTN.Em sua defesa, o governador sempre disse desconhecer a existência de qualquer esquema de corrupção no governo estadual e afirmou ser inocente em relação às acusações, que envolvem a primeira-dama do Estado, Maria Helena Ruy Ferreira, e seu irmão, o ex-secretário Gentil Ruy, entre outros. Ignácio também atribuiu a inimigos políticos a campanha para afastá-lo do governo capixaba.

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