Pedido de ´CPI dos Sanguessugas´ deve fracassar

Tem tudo para fracassar a iniciativa de partidos de oposição de propor a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a participação de parlamentares no desvio de dinheiro do Orçamento da União para a compra de ambulâncias superfaturadas.Um pedido apresentado pelo PPS, PV e PSOL, que juntos somam apenas 30 parlamentares, até esta quinta tinha apenas 25 assinaturas. Para que uma CPI seja aberta, são necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado."Quem quer uma investigação conseqüente não pode propor factóides", disse o deputado Henrique Fontana (RS), líder do PT, a segunda maior bancada da Câmara, com 81 integrantes. O PT tem apenas um suspeito de envolvimento nas irregularidades, o deputado João Grandão (MS). "Essa CPI só tumultuaria o andamento das investigação, porque na prática temos apenas um mês e meio de trabalho pela frente", disse Fontana. Ele acha que a Polícia Federal é que deve seguir à frente das investigações, por já estar bem adiantada.O PMDB, dono da maior bancada, com 83 deputados, também não está disposto a assumir nada diante da CPI dos Sanguessugas, invertebrados que deram nome à operação realizada pela Polícia Federal, que transformou 80 deputados e um senador em suspeitos de envolvimento com o escândalo das ambulâncias (a Câmara decidiu, num primeiro momento, abrir investigação apenas contra 16).O PSB, que teve o líder Paulo Baltazar (RJ) envolvido (ele foi afastado de suas funções, cedendo o lugar a Alexandre Cardoso, também do Rio), não quer saber da CPI. "Essa idéia só pode ter saído da cabeça dos que não conhecem nada dos trâmites no Congresso. Não há tempo para nenhum tipo de investigação", disse Alexandre Cardoso.O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que apóia a instalação da CPI dos Sanguessugas, deu início ontem à coleta de assinaturas para as investigações. Gabeira disse discordar do critério da Mesa Diretora, que decidiu investigar só 16 deputados suspeitos de envolvimento na fraude. "Não aceitamos esta divisão. Quem tem assessor envolvido deve ser investigado também, porque assessor não assina emenda. Quem assina é o deputado", argumentou Gabeira.SenadoAs assinaturas ainda não começaram a ser coletadas no Senado, mas lá também a tarefa de conseguir 27 apoios não é fácil. "Achamos que o tempo é muito curto, mas se quiserem o nosso apoio, terão", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM).No Senado não tem nenhum senador do PPS nem do PV e somente um do PSOL (Heloisa Helena, de Alagoas). Assim mesmo, o PSOL não integra o bloco informal de oposição, por não aceitar se ligar ao PSDB e ao PFL, partidos que considera de direita.

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