Pedido de ajuda externa no setor aéreo teria de partir do Brasil

China e Suíça já pediram auxílio internacional depois de sofrer série de acidentes.

Adriana Stock, BBC

26 de julho de 2007 | 15h04

Um pedido de ajuda externa para reverter a atual crise aérea no Brasil teria que vir do próprio governo, segundo representantes de entidades internacionais do setor.A suposta recomendação de uma intervenção internacional no país havia sido feita por Marc Baumgartner, presidente da Federação Internacional dos Controladores Aéreos (Ifatca, em inglês), em recentes entrevistas à imprensa brasileira.A declaração provocou uma reação negativa no âmbito político. De Washington, onde acompanhava as investigações da caixa-preta do vôo 3054 da TAM, o deputado federal Marco Maia (PT-RS), relator da CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados, refutou a idéia. "Não concordo com essa proposição. O Brasil tem técnicos eficientes, tem informações, sabe o que está acontecendo, quais são os problemas. O que necessitamos é de menos fala e mais ação. Trazer organizações internacionais para se intrometer em assuntos nacionais não ajudaria em nada", disparou Maia.Em entrevista à BBC Brasil, Baumgartner, em Genebra, recuou. Disse que não usou a palavra "intervenção", mas, sim, "assistência"."Se um país enfrenta problemas no setor aéreo, em especial na administração do tráfego aéreo, especialistas de empresas ou organizações internacionais podem contribuir. Mas isso ocorre se o governo quiser", afirmou. "O governo é dono de seus próprios passos, ele dá as ordens."Uma das vantagens de contar com técnicos estrangeiros seria a imparcialidade, anulando pressões políticas, destaca Baumgartner.Segundo a assessoria de imprensa da Força Aérea Brasileira (FAB), está prevista para o ano que vem uma "fiscalização rotineira" no país por parte da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), ligada à ONU. Não teria havido nenhum pedido do governo brasileiro para antecipar tal fiscalização.Em Montreal, a sede da Oaci informou que ainda não há uma data prevista para a realização de uma auditoria no país.A assistência internacional a países que enfrentaram ou enfrentam crises aéreas é uma prática comum na aviação.A Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) está atualmente ajudando o governo chinês a expandir o sistema aéreo do país."Enviamos especialistas em tráfego aéreo e em aeroportos, entre outras áreas, para lá. Os chineses vieram aos Estados Unidos para conhecer o sistema americano", conta Hank Price, porta-voz da FAA, em Washington.A Indonésia também pediu auxílio externo após ter registrado uma série de acidentes - dois fatais apenas neste ano -, levando a União Européia a banir vôos de companhias do país no espaço aéreo europeu. A FAA rebaixou a Indonésia para a categoria 2, isto é, não está de acordo com os padrões da Oaci. Neste mês, o governo indonésio assinou uma declaração de compromisso com internacionais de segurança da Oaci para incrementar a segurança do sistema aéreo civil. O país comprometeu-se a reestruturar a cúpula de aviação civil do governo, reavaliar a legislação, investir em infra-estrutura e recursos humanos, ter mais transparência e corrigir as deficiências identificadas por auditorias da Oaci.Os resultados serão avaliados em 2008 pelo governo da Indonésia e pela Oaci.Outro país que reavaliou todo o seu sistema de aviação, contando com ajuda internacional, foi a Suíça após uma colisão entre duas aeronaves no ar, em 2002, seguida por mais quatro acidentes.Em 2003, o governo suíço contratou a holandesa National Aerospace Laboratory para fazer uma auditoria geral do sistema. O título da missão foi sugestivo:"Administração de Segurança Aérea na Suíça - Recuperando-se do mito da perfeição".O relatório final da auditoria apresentou 28 recomendações que resultaram em um plano de ação do governo para toda a indústria aérea, com prazos a cumprir e regulamentações.Três anos mais tarde, o governo suíço contratou novamente a empresa para avaliar o progresso do plano de ação.Os especialistas constataram que o plano de ação foi posto em prática imediatamente após a auditoria e que, embora ainda existissem falhas a serem corrigidas, ocorreram mudanças positivas, como a revisão geral das normas de segurança aérea do país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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