Pedido de afastamento de Vaccari fica mais fortalecido após prisão, diz ex-governador do PT

Tarso Genro afirmou que uma corrente do partido já preparava pedido de afastamento do tesoureiro da legenda, investigado na Operação Lava Jato

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2015 | 10h09

BRASÍLIA - O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) considerou nesta quarta-feira que o pedido de afastamento de João Vaccari Neto do comando da Secretaria de Finanças do PT fica "mais fortalecido" após a prisão do dirigente, ocorrida em nova Operação da Lava Jato. Vaccari foi preso em casa, em São Paulo, e vai ser deslocado para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. 


"Nós da corrente Mensagem já tínhamos deliberado que iríamos apresentar uma proposta de afastamento", afirmou o ex-governador ao Estado. Nesta quinta-feira o Diretório Nacional do PT se reúne em São Paulo, ocasião em que deverá ser discutida a atual conjuntura política e econômica do País. Com a prisão de Vaccari, a permanência dele como tesoureiro também deve ser alvo de discussão. 


Tarso Genro não quis comentar especificamente sobre as causas e motivos da prisão, mas ressaltou: "Confirma que a nossa proposta está correta. Não vou na reunião pois irei fazer uma cirurgia. Mas a minha posição, a posição do Carlos Árabe [da Executiva Nacional] era de que nós iríamos apresentar um pedido de afastamento dele. Agora evidentemente isso fica mais fortalecido. Já tenho posição sobre isso, que é conhecida. Acho que agora o diretório vai tomar alguma providência. Mas não quero dar declarações sobre a prisão".


Integrante da Executiva Nacional, o secretário nacional de formação política do PT, Carlos Árabe, adotou a mesma linha de Tarso Genro, e não quis comentar especificamente a prisão de Vaccari, mas pontuou o entendimento dele sobre a permanência do tesoureiro no cargo. "A nossa tese para o Congresso está escrita e é explicita nesse assunto. Não é o fato [da prisão], já temos essa posição há muito tempo. Quanto à prisão, eu quero me inteirar, entender, ter mais informações. Mas nós tínhamos uma posição, independente de qualquer coisa. Pelo fato de que nenhum dirigente pode ser réu em situações assim", ressaltou Árabe. 


Vaccari foi denunciado criminalmente por ser apontado pelos investigadores da força-tarefa da Lava Jato como operador de propina do PT no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás. Ele é acusado de receber para o PT um porcentual da diretoria de Serviços da Petrobrás na época em que era comandada por Renato Duque. O petista responde no processo pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

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