Pedida prisão do dono da fazenda onde sem-terra foram mortos

A Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais informou que foram formalizados hoje na Justiça cinco pedidos de prisão cautelar, entre eles do fazendeiro Adriano Chafik, identificado como proprietário da Fazenda Nova Alegria, onde no sábado foram executados cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST). Eles foram mortos por um grupo armado que invadiu o acampamento ?Terra Prometida?, em Felisburgo. Chafic é apontado como o mandante do ataque, que deixou outros 13 feridos.A Polícia Civil decidiu anexar às investigações o inquérito aberto na Delegacia de Jequitinhonha, para apuração de ameaças feitas anteriormente a integrantes do acampamento. No inquérito, os sem-terra acusam Chafik de ser um dos autores das ameaças.Na tarde de domingo, policiais militares realizaram buscas na sede da Fazenda Nova Alegria. De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Sócrates Edgar dos Anjos, foram encontrados cartuchos de vários calibres e uma nota fiscal "recente" de compra da munição, realizada numa cidade da Bahia.TransferênciaA Secretaria de Defesa divulgou que os três suspeitos de terem participado do ataque devem ser transferidos hoje para Belo Horizonte. Francisco de Assis Rodrigues Oliveira, Admilson Rodrigues Lima e Milton Francisco de Souza estão presos na delegacia de Jequitinhonha. No depoimento que prestaram ontem ao delegado Wagner Pinto, responsável pelo inquérito, os suspeitos detidos negaram participação nas execuções. Francisco e Milton, conhecidos, respectivamente, por "Chicão" e "Milton Pé de Foice", são ex-membros do acampamento atacado. Segundo o MST, eles foram expulsos do acampamento por conduta inadequada. A suspeita dos responsáveis pela investigação policial é que eles teriam sido infiltrados no movimento para colher informações. Em marcha, os sem-terra deverão retornar hoje ao acampamento. O retorno será acompanhado pela PM, que deslocou para a região um contingente de 120 homens das companhias de Governador Valadares e Teófilo Otoni. Na ação do grupo de pistoleiros, cerca de 31 das 65 barracas foram queimadas. A Fazenda Nova Alegria foi ocupada pelo MST em maio de 2002. Antes do ataque, cerca de 90 famílias permaneciam no local.O secretário de Estado Extraordinário para Assuntos de Reforma Agrária, Neider Moreira, confirmou que parte da fazenda é alvo de disputa judicial, pois, segundo vistoria do Instituto de Terras, cerca de 600 hectares do imóvel são compostos de terras devolutas. "Assim que tivermos essa confirmação na Justiça, naturalmente a área vai ser destinada à reforma agrária", disse Moreira.

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