Pediatras querem diagnosticar desnutrição para nortear Fome Zero

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vai sugerir ao governo federal a elaboração de um diagnóstico real e atualizado da situação nutricional das crianças brasileiras para servir de base às ações de combate à fome na infância. A proposta será entregue neste sábado, em Porto Alegre, ao assessor especial da presidência da República, Frei Beto, durante o 2º Fórum As Transformações da Família e da Sociedade e Seu Impacto na Infância e na Juventude.Os últimos dados disponíveis, do Inquérito Nacional Domiciliar, são de 1996 e referem-se à baixa estatura, desnutrição e obesidade. Conforme a SBP, o levantamento deve ser atualizado ampliando sua abrangência para as crianças que estão vivendo em abrigos ou nas ruas e, ainda, as hospitalizadas. Além disso, deve incluir informações sobre a falta de ferro e de vitaminas na alimentação infantil.O presidente da SBP, Lincoln Freire, acredita que de posse dos dados, o governo e a sociedade tornarão mais eficazes as ações voltadas para a infância. A SBP está disposta a colaborar com o levantamento e com a oferta de estudos que já fez e experiências acumuladas. Algumas soluções têm baixo custo. Em Angatuba (SP), bastou um ano de um programa de orientação às mães e o enriquecimento do leite com ferro para que os índices de anemia caíssem de 74,4% para 4,1%, conforme constatação do médico Marco Antônio de Almeida Torres.Outra ação proposta pela SBP é o estímulo ao aleitamento materno. A falta de amamentação adequada está envolvida com 50% da mortalidade infantil causada por doenças respiratórias e 66% da decorrente de diarréia. A taxa de aleitamento materno exclusivo no Brasil é de apenas 23 dias, quando a recomendação da Organização Mundial da Saúde e da SBP é de seis meses, seguidos de pelo menos mais um ano e meio de amamentação complementada com a adição de outros alimentos.

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