Pediatra acusado de abuso sexual deve depor nesta segunda

O médico Eugenio Chipkevitch, de 47 anos, acusado de abusar sexualmente de adolescentes em sua clínica, no bairro do Brooklin, zona sul da capital, deve ser ouvido nesta segunda-feira à tarde pelo delegado Virgilio Guerreiro Neto do 51º Distrito Policial (DP), do Butantã, zona oeste, e pelo promotor José Carlos Blat, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).Recolhido numa cela do 13º Distrito Policial, na zona norte, por determinação da Justiça, Chipkevitch deve negar-se a prestar declarações e a responder às perguntas da polícia, alegando que o fará somente na Justiça.Durante este fim de semana ele conversou longamente com dois advogados que se apresentaram no DP, mandados por um amigo do médico para defendê-lo. Na quinta-feira, horas após a prisão, um outro advogado esteve no distrito a pedido do mesmo amigo de Chipkevitch, mas, depois de ver as imagens das fitas e se inteirar da acusação, informou que não aceitaria "a causa por foro íntimo". Sem comerCom prisão temporária de 30 dias decretada pelo juiz Maurício Lemos Porto Alves, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), o médico não tem se alimentado.Em conversa com os policiais quando foi detido, Chipkevitch admitiu ser a pessoa que aparece nas filmagens em poder da polícia. Ele disse "não saber por que fez tudo aquilo" e negou ter abusado das crianças. "As imagens dizem tudo", afirmou Blat. "Vamos esperar o laudo da perícia sobre as fitas para fortalecer a prova. Não dá para ele dizer que foi tudo montado e nada fez." O promotor assistiu a parte das 37 fitas apreendidas na semana passada e ficou revoltado com a atitude do médico, que "sedava os pacientes para depois abusar".Secretária A secretária do consultório de Chipkevitch, Regina Célia Brasil Correia, que foi ouvida na sexta-feira, voltará a depor amanhã. A polícia suspeita que ela não tenha dito a verdade. Serão ouvidos ainda outros quatro funcionários da clínica e possivelmente a ex-mulher do médico. "É impossível que ninguém saiba, que ninguém tenha visto nada durante todos estes anos de trabalho", disse o promotor.O depoimento da mulher que viveu alguns anos com o médico também é esperado pela polícia e pelo Ministério Público. "Ela deve ter informações de grande valia sobre o caráter e a conduta do pediatra", explicou Guerreiro.O casal adotou uma criança - que hoje tem 10 anos - e separou-se faz algum tempo. A criança vivia com o médico.PaisDezenas de pais que levaram seus filhos para consulta e tratamento com Chipkevitch procuraram o delegado Guerreiro e o promotor Blat querendo ver as fitas e se propondo a testemunhar. O médico atendia, em média, cem pacientes por mês. O fichário com nomes, telefones e endereços dos pacientes está em poder da polícia.O material de gravação também foi apreendido. Os policiais investigam para saber se o médico recebia auxílio durante as consultas por alguém encarregado de fazer as gravações. "Somente quem sabia o que ocorria naquela clínica e tinha acesso às gravações pode ter se apoderado das fitas e jogado na lixeira", acredita o promotor.A preocupação de Blat e do delegado é com a exposição das vítimas e de suas famílias. Disseram que vão adotar providências para que nenhuma delas seja filmada, fotografada nem tenha seu nome divulgado.

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