Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Denúncia contra Collor inclui mais quatro e fica sob sigilo

Procuradoria-Geral da República atribui propina de R$ 26 milhões a senador e liga ex-ministro à lavagem

Beatriz Bulla, Talita Fernandes e Andreza Matais , O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 21h47

Atualizado às 23h17

Brasília - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu nesta quinta-feira, 20, denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) e mais quatro pessoas – incluindo um ex-ministro – por participação no esquema de corrupção na Petrobrás. A denúncia de Collor permanece em segredo de Justiça, pois tem trechos sigilosos de documentos e delações premiadas.

As investigações indicam que Collor recebeu R$ 26 milhões em propina entre 2010 e 2014 por um contrato de troca de bandeira de postos de combustível assinado pela BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, e por outros contratos da estatal com a UTC Engenharia, outro alvo da Lava Jato.

Além do senador, Janot denunciou o empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, que foi ministro de Collor, e três envolvidos com os atos do parlamentar. Leoni foi alvo da Operação Politeia em julho – fase de buscas envolvendo políticos investigados na Lava Jato. Procuradores suspeitam que o ex-ministro seria cliente do doleiro Alberto Youssef, tendo feito repasses realizados a Collor por meio de sua empresa, a GPI.

A denúncia contra Collor detalha o esquema de lavagem de dinheiro usado pelo senador, com a compra de carros de luxo, além de delações que apontam entrega de dinheiro em mãos ao político. Subordinado de Youssef, Rafael Angulo relatou ter dado pessoalmente R$ 60 mil a Collor em um apartamento do parlamentar. A Polícia Federal também obteve a confirmação de oito comprovantes de depósito em nome do senador, mencionados em delação por Youssef. O doleiro disse ter feito “vários depósitos” a Collor, no valor de R$ 50 mil.

Empresas. A Procuradoria constatou que a lavagem realizada por Collor envolveu pessoas físicas e empresas como a TV Gazeta de Alagoas, da qual é sócio, a Água Branca Participações e a Gazeta de Alagoas. Os investigadores apontam que a Água Branca seria uma firma de fachada, pois não tem empregados, sede, nem participação em outras empresas.

Parte dos veículos de luxo apreendidos na casa do senador, como um Lamborghini de mais de R$ 3 milhões e uma Ferrari 458 Itália, está em nome da Água Branca Participações. Já um Porsche Cayenne está em nome da GM Comércio de Combustíveis.

Os procuradores apontam que os veículos foram usados para lavagem de dinheiro. A compra do Lamborghini foi feita com entrega de um veículo no valor de R$ 400 mil, mais financiamento de R$ 1,6 milhão, além de pagamento em dinheiro de R$ 1,2 milhão. Janot revela que o financiamento do superesportivo está inadimplente, provavelmente em razão do “fim do fluxo de propina” pela deflagração da Lava Jato. 

Empréstimos “fictícios” para a Água Branca Participações também são considerados na investigação de Collor como formas de lavagem de dinheiro. Entre 2011 e 2013, os investigadores detectaram empréstimos de R$ 2,1 milhões, R$ 4,2 milhões e R$ 3,3 milhões, segundo dossiê da Receita Federal. Nesses anos, a movimentação financeira registrada pela empresa foi irrisória: zero em 2011 e 2012 e R$ 463 mil em 2013.

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