PDT pressiona governo a manter Manoel Dias no ministério

Legenda afirmou que se o ministro deixar o cargo não indicará nome esta ou qualquer outra pasta até o fim da gestão Dilma; presidente do partido, Carlos Lupi, diz que ele 'foi pego para Cristo'

Débora Álvares, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2013 | 12h48

Em tom de ameaça, o PDT decidiu nesta quarta-feira, 18, não indicar nome para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou qualquer outra pasta até o fim da gestão Dilma Rousseff, caso o ministro Manoel Dias deixe o cargo. A posição está fechada, embora a legenda tenha delegado a Dias a decisão de seu futuro no governo.

As bancadas do partido na Câmara e no Senado passaram cerca de uma hora e meia com o ministro do Trabalho e o presidente da legenda, Carlos Lupi, ex-ocupante do cargo. Lupi deixou o comando do ministério em 2011, em meio a denúncias semelhantes às atuais, mas reiterou a confiança do partido em Dias e disse achar "remotíssima" a possibilidade de o partido substituí-lo. Em defesa ao atual ministro, Lupi disse que ele "foi pego para Cristo" pela imprensa, e nesse caso, "tem que apanhar até acabar".

O líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE) disse que o partido não vai indicar outro nome caso Dias resolva renunciar. "Não vemos a possibilidade de a presidente (Dilma) pedir esse cargo, mas se o ministro resolver renunciar, uma coisa vocês podem anotar: não existe a menor possibilidade de o PDT indicar outro nome para esse ministério, nem nenhum outro. Isso já é ponto decidido", afirmou o deputado. Segundo ele, a sigla entende o "momento extremamente angustiante que passa a figura do ministro", mas ressaltou que a renúncia ao cargo está sob avaliação.

Figueiredo disse ainda que Manoel Dias está "obstinado" a fazer o pente-fino no MTE. "Ele quer deixar isso como legado. Se ele conseguir isso em 15, 20 dias. Não é que ele vai sair. Vai deixar isso de missão cumprida", explicou.

Reportagem publicada nesta quarta pelo Estado informa que auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) revela que uma entidade contratada pelo Ministério do Trabalho e Emprego repassou dinheiro a militantes do PDT catarinense sem comprovar se, de fato, os serviços foram prestados.

A lista inclui o ex-presidente da Juventude do partido em Santa Catarina, John Sievers Dias, que, em entrevista ao jornal, disse que o ministro Manoel Dias (PDT-SC) montou esquema para que funcionários da legenda recebessem da Agência de Desenvolvimento do Vale do Rio Tijucas e Rio Itajaí Mirim (ADRVale), detentora de convênios com a pasta.

A possível saída do PDT da Esplanada pode significar um rompimento com a base do governo Dilma, apesar de o líder na Câmara afirmar não haver essa possibilidade. O temor de perder o apoio de mais uma legenda na corrida pela reeleição do ano que vem - o PSB deve anunciar nesta quarta a saída do governo - tem feito a presidente Dilma esperar e manter a cautela sobre a saída de Manoel Dias do Trabalho.

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