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PDT pode se alinhar a Aécio em 2010, sugere Lupi

Ministro se encontra com governador de MG e diz que partido não tem compromisso com candidatura de Dilma

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

02 de junho de 2009 | 18h04

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, sugeriu nesta terça-feira, 2, que o PDT poderá se alinhar a uma eventual candidatura presidencial do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), caso ele consiga se viabilizar como presidenciável tucano. Após um encontro com o mineiro no Palácio Mangabeiras, Lupi observou que o PDT integra a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não tem compromisso com a pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

 

"Uma coisa não tem necessariamente nada haver com a outra", enfatizou o ministro, que é presidente licenciado do PDT. "Quando assumimos o governo e aceitamos a honrosa missão que o presidente Lula nos deu, ser ministro de Estado do Trabalho e Emprego, aceitamos com o compromisso de base de apoio do governo. Em nenhum momento nós discutimos a sucessão presidencial".

 

O encontro com Lupi - confirmado na noite segunda, após a divulgação da agenda oficial do governador - serviu para reforçar um dos principais argumentos de Aécio na disputa interna que trava com o colega paulista José Serra: a capacidade de aglutinar mais apoios, inclusive de partidos que hoje estão na base de sustentação do Planalto.

 

O ministro disse que o PDT vai aguardar primeiro a decisão do PSDB, respeitando o processo interno do partido. Mas condicionou uma "reavaliação" do atual quadro eleitoral para 2010 à escolha do tucano mineiro. "É claro que amanhã o PSDB decidindo pelo nome do governador Aécio, muda todo o quadro eleitoral nacional", disse.

 

Lupi salientou que é amigo de Dilma desde a fundação do PDT e que não tem "dificuldade nenhuma pessoal" com a ministra. "Agora, a questão não é só de simpatia, não é só de afinidade. A questão é de política e política se decide em cima dos fatos. O PSDB ainda não tem seu candidato escolhido. Falei e volto a afirmar: o governador Aécio Neves sendo o candidato escolhido pelo PSDB muda tudo no quadro nacional".

 

O ministro também incorporou o discurso da importância do segundo maior colégio eleitoral na disputa pela Presidência. Ao lado do governador, afirmou que "não tem futuro para nenhum político nacional que queira o Brasil e tenha o Brasil com carinho que não passe por Minas Gerais". "Minas é o Estado que decide todas as eleições no Brasil".

 

Aécio acompanhou sorridente as declarações do ministro e já havia dado a deixa em um rápido pronunciamento. "Essa é sua casa ministro Lupi. Você tem aqui um amigo, um admirador. E vamos continuar construindo parcerias administrativas, quem sabe em outro campo".

 

Pesquisas

 

Antigo interlocutor do governador mineiro, Lupi desembarcou em Belo Horizonte justamente um dia depois de a pesquisa CNT/Sensus mostrar o tucano atrás de Dilma na lista em que Aécio aparece como candidato do PSDB. A agenda do ministro disponível na internet previa na segunda-feira apenas uma audiência no final da tarde em Brasília e nenhum compromisso oficial na capital mineira.

 

O governador repetiu nesta terça que considera natural e esperado o crescimento de Dilma nas pesquisas e disse que a expectativa no ninho tucano é que a ministra alcance a marca de 30% até o fim do ano. "Uma candidatura do PT, apoiada pelo presidente Lula e conhecida amplamente pela população, terá um piso de largada em torno de 30%. A partir daí é o candidato, a partir daí são suas qualidades, a capacidade do candidato se comunicar e de convencer o eleitor".

 

Para Aécio, o índice esperado para Dilma reforça sua tese contrária a uma eventual chapa puro-sangue tucana e a necessidade de ampliar o leque de alianças. "Temos um núcleo forte hoje que parte dos Democratas e do PPS ao lado do PSDB. Mas eu acho que nós podemos ampliar", disse. "Esse aspecto, a capacidade de aglutinar será obviamente muito bem avaliado, um instrumento importante para a decisão que o partido vier tomar no final do ano".

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