PDT monta comissão para negociar com Dilma e deixa Lupi de fora

Ex-ministro do Trabalho, que se demitiu no domingo, voltará à presidência da legenda em janeiro

Eduardo Bresciani, do Estadão.com.br,

05 de dezembro de 2011 | 17h09

A Executiva Nacional do PDT decidiu nesta tarde montar uma comissão para negociar com a presidente Dilma Rousseff o espaço do partido no governo. O ex-ministro Carlos Lupi está fora dessa comissão e permanecerá licenciado da presidência da legenda até janeiro do próximo ano. Ele deixou o Ministério do Trabalho no domingo, 4, após uma série de denúncias. 

 

A comissão do PDT terá o presidente interino, deputado federal André Figueiredo (CE), o secretário-geral, Manoel Dias (SC), os líderes do partido na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), e no Senado, Acir Gurgacz (RO), e o deputado Brizola Neto (RJ), vice-presidente do partido. Figueiredo fez questão de ressaltar que o partido apoia o governo Dilma mesmo sem cargos, mas o PDT espera um convite da presidente ainda esta semana para negociar o espaço da legenda na Esplanada. 

 

De acordo com o presidente interino, Lupi pediu a prorrogação da licença do cargo de comando da legenda porque deseja viajar com a família nos próximos dias. Figueiredo ressaltou que o partido tem total confiança em Lupi e deu como certa a volta dele à presidência do PDT em janeiro. "Ele é um nome que foi eleito e tem mandato até 2013", declarou. 

 

O deputado Brizola Neto afirma que o partido espera ser chamado pela presidente ainda nesta semana para negociar. Segundo ele, caberá a Dilma definir o que espera do PDT. "A decisão é da presidente Dilma. Só podemos indicar nome para uma pasta ou outra se ela nos pedir. O partido reafirmou hoje que apoia, independentemente do que se colocar de espaço pra gente", disse. Diferente de Figueiredo, Brizola Neto afirmou que a volta de Lupi à presidência do partido ainda precisará ser debatida pelo partido na reunião do diretório nacional em janeiro. 

 

Já o presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) voltou a fazer ataques à Comissão de Ética Pública, que recomendou à presidente Dilma a demissão de Lupi. Paulinho lembrou que a relatora do caso, Marília Muricy, foi secretária do governador petista Jaques Wagner (BA) e que o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, advogou para a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), onde o PDT é oposição. "É estranho que aliados possam fazer o que foi feito com o Lupi", criticou Paulinho. 

 

Paulinho aproveitou ainda para rechaçar a tese da necessidade de acabar com a pasta do Trabalho na reforma ministerial levando os assuntos do setor de volta à área da Presidência. "Seria um desastre um governo que se diz dos trabalhadores fazer uma coisa dessa", argumentou. O presidente da Força Sindical não quis dizer se o PDT faria questão de continuar no ministério do Trabalho, mas já desdenhou a área da Agricultura, cotada para ser entregue ao partido. "Não sabemos nada de mexer com terra", declarou.

 

Ministério tem interino

 

A exoneração a pedido do ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi está publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta segunda. Na mesma edição, a presidente Dilma Rousseff nomeia Paulo Roberto dos Santos Pinto para exercer, interinamente, o cargo deixado por Lupi. Paulo Roberto dos Santos Pinto acumulará também a função de secretário executivo da Pasta, que atualmente já ocupa.

 

(Atualizada às 20h34 para acréscimo de informação)

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