PDT ganha papel crucial na disputa pelo comando do Senado

O franzino PDT no Senado ganhou importância de primeira ordem na disputa entre Renan Calheiros (PMDB-AL), atual presidente da Casa, e José Agripino (PFL-RN) pela presidência do Congresso. Cortejado por ambos os lados, o partido tem nas mãos o poder de decidir a eleição com apenas 4 parlamentares. Se pender para o PFL, transforma Agripino em candidato da oposição, com capacidade para atrair votos de senadores formalmente da base governista, mas que não se alinham ao governo. Se for para o outro lado, sacramenta a participação da legenda na aliança programática costurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da qual Renan é um dos principais interlocutores. A executiva do partido decidiu nesta quinta-feira, por ampla maioria, aderir à coalizão de governo, mas só baterá o martelo em janeiro do ano que vem. Esse resultado, sustentam alguns parlamentares, apontaria uma tendência a favor de Renan. No Senado, o PDT prometeu dar uma resposta definitiva até 22 de dezembro. A negociação política corre à velocidade da luz sem nenhum sinal concreto do resultado. "O PDT está querendo encontrar qual é a melhor opção para que o Senado cumpra seu papel na República. Nós queremos participar disso", disse à Reuters o senador Cristovam Buarque (PDT), que nesta semana foi contrário à participação da sigla na coalizão de Lula. Carlos Lupi, presidente do partido, é defensor da aliança programática e pressiona seus senadores a apoiarem, unidos, o peemedebista. Cristovam e os colegas Osmar Dias (PDT-PR) e Jefferson Peres (PDT-AM) reuniram-se nesta semana com José Agripino. Ao mesmo tempo, mantêm contatos freqüentes com o presidente da Casa, Renan Calheiros. Na última terça-feira, a legenda perdeu o senador Augusto Botelho para o PT, reduzindo para quatro a bancada da próxima legislatura. Botelho declarou voto a Renan. Segundo fontes da Reuters, não está descartada a saída de declarar neutralidade na disputa, alternativa que liberaria o grupo a declarar apoio individual a qualquer candidato. O PSDB fechou um acordo para apoiar o aliado pefelista. Derrotada nas eleições, a oposição tradicional enxerga na corrida pelo comando do Senado a oportunidade de "lavar a alma" e conquistar uma vitória simbólica após a difícil derrota eleitoral. "A oposição na presidência do Senado é uma salvaguarda", declarou o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), esclarecendo que o objetivo não é fazer oposição a Renan, "um bom presidente", mas oposição ao governo. "Para trair e coçar, é só começar. E o voto secreto ajuda a oposição", acrescentou. A tese do voto secreto como elemento de traição também é explorado pelos interlocutores de Renan. Até agora, no entanto, qualquer previsão ganha ares de aposta. No Congresso, há uma máxima largamente usada de que se as promessas de voto fossem fielmente reproduzidas no plenário, o Parlamento seria uma casa com mais de mil representantes. Renan Calheiros ainda espera a desistência do adversário, que nega qualquer disposição em abandonar a eleição. Se a disputa se confirmar como uma briga entre governo e oposição, a margem de votos será pequena, independente de quem vença. Mas numa casa de apenas 81 senadores, qualquer declaração oficial de voto se transforma em passo crucial para se aproximar da vitória.

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