PDT espera aceno de Dilma para indicar nomes para o Trabalho

Segundo vice-presidente da sigla, o apoio do PDT ao governo não está condicionado à participação no ministério

Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2012 | 18h31

O PDT descarta um técnico no Ministério do Trabalho em substituição a Carlos Lupi, exonerado do cargo no final do ano passado depois de denúncias de aparelhamento da pasta e de supostas irregularidades em convênios com ONGs. O partido espera para o início de fevereiro um convite da presidente Dilma Rousseff para discutir o nome de um pedetista para comandar o ministério.

 

"O ministro tem de ter habilidade para conduzir o processo de negociação que envolve sindicatos, capital e trabalho. As pessoas têm de ter clareza disso", afirmou o vice-presidente do PDT, deputado André Figueiredo (CE), concordando com Lupi. "O ministro tem de ser um gestor e tem de ter habilidade", continuou. "O que é um perfil técnico no Ministério do Trabalho. É alguém ligado a que segmento?", questionou Figueiredo.

 

O deputado destacou que o apoio do PDT ao governo Dilma não está condicionado à participação no ministério. "Acreditamos no governo da presidente", disse. Estão cotados para assumir o Trabalho o deputado Vieira da Cunha (RS) e o secretário-geral do PDT, Manoel Dias.

 

Lupi, presidente do PDT, afirmou que, diferentemente de outras pastas, como a da Fazenda e a da Ciência e Tecnologia, o Ministério do Trabalho é eminentemente político e dificilmente será ocupado por um técnico. Desde a saída de Lupi, a pasta está sob o comando de Paulo Roberto Pinto, que antes era o secretário-executivo do ministério.

 

No mais recente arranjo ministerial, a nomeação de Marco Antonio Raupp para Ciência e Tecnologia foi considerada uma escolha técnica da presidente Dilma. Raupp ocupa o lugar do ex-ministro Aloizio Mercadante, deslocado para o Ministério da Educação com a saída de Fernando Haddad, pré-candidato à prefeitura de São Paulo.

 

Lupi repetiu, como declarou poucos dias antes de ser exonerado do cargo, que ainda mantinha amor pela presidente: "Eu amo todos vocês, inclusive a presidente. O amor é um sentimento dos mais nobres. As pessoas na rua dizem que me amam e eu adoro". Apesar da tentativa do grupo pedetista ligado ao ex-deputado Vivaldo Barbosa, o Diretório Nacional do partido reunido nesta segunda-feira, 30, não analisou o pedido de saída de Lupi da presidência da legenda. Lupi afirmou aos pedetistas que tem condições morais para permanecer no cargo de presidente do partido.

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