PDT entra para coalizão, mas não decide candidato à Câmara

O PDT decidiu nesta sexta-feira, em reunião do seu diretório nacional, entrar para a base do governo, mas ainda não definiu quem irá apoiar para a presidência da Câmara. O ingresso na coalizão governamental foi sacramentado em votação, com 152 votos a favor, 31 contra e uma abstenção.O presidente do PDT, Carlos Lupi, foi favorável a adesão à base com o argumento de que de dentro do governo é mais fácil defender as questões de interesse do trabalhador do que fora dele. "Estamos na coalizão para defender princípios. Para defender os interesses do povo brasileiro. Se alguém quiser mexer com os direitos trabalhistas vai ter a nossa oposição", disse Lupi a jornalistas. O ingresso do PDT na coalizão, segundo Lupi, não pressupõe cargos no governo. "Poderemos participar da base sem cargos. Só para marcar as nossas propostas dentro do governo. Nós somos assim, um partido diferente", afirmou. O PDT não se posicionou por nenhuma das candidaturas lançadas à presidência da Câmara dos Deputados, mas Lupi garantiu que, assim que a decisão for tomada, o partido votará em bloco. A preferência dos pedetistas é por uma candidatura única da base, e declarou-se contra a chamada "terceira via", defendida por um grupo de parlamentares de vários partidos. "Se for impossível, faremos a nossa opção", comentou Lupi. O PMDB e PSDB já se declararam a favor de Chinaglia. O presidente do PDT apresentou aos dois candidatos da base, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), uma série de propostas, como a limitação do uso de medidas provisórias, o fim do voto secreto e da convocação parlamentar em época de recesso e a criação de um teto transparente para a remuneração dos parlamentares, "acabando com os penduricalhos". "A partir da resposta a esses pleitos começaremos a definir o nosso apoio".O candidato do PDT à presidência da República, Cristovam Buarque, não compareceu à reunião do diretório e, segundo integrantes do partido, era contrário ao ingresso na base do governo. "Ele foi demitido pelo telefone. Tem razões pessoais para não querer aderir", disse um integrante do partido sob a condição do anonimato. O presidente da Força Sindical, deputado federal eleito Paulo Pereira da Silva, disse que o partido defenderá questões de princípios na base do governo. "São questões que o partido vem levantando, como a previdência dos aposentados vinculada ao salário mínimo e não aumentar a idade mínima para a aposentadoria. São aquelas questões apresentadas ainda na época da campanha que continuam mantidas", disse Paulinho a jornalistas.O pedetista disse que o partido espera que Lula cumpra o que prometeu na época da eleição. "Se não cumprir vai ter problemas", afirmou, sem especificar a que tipo de problemas se referia. Paulinho disse que a reunião do PDT não discutiu cargos e que "ficou decidido que se o governo Lula convidar (o partido) para participar de um ministério, caberá à Executiva decidir".Este texto foi ampliado às 19h42.

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