PDT decide oficialmente fazer parte da coalizão de Lula

De olho em cargos na administração federal, a executiva nacional do PDT decidiu nesta quarta-feira que o partido deverá não só integrar a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso como também participar da coalizão de governo. A despeito dos ataques generalizados ao PT e das críticas ao próprio governo, apenas cinco dos 28 pedetistas presentes foram contra a adesão ao governo. Com isto, o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, um dos maiores defensores da aliança com o Planalto, foi autorizado pela direção partidária a participar, como observador, da primeira reunião do Conselho Político da coalizão com o presidente Lula, realizada em seguida. A decisão da executiva ainda terá de ser confirmada pelo diretório nacional do partido, que será convocado a se manifestar em 12 de janeiro, mas ninguém tem dúvidas de que a adesão ao governo será ratificada. A certeza deve-se à constatação geral de que Lupi sempre comanda o voto de pelo menos 70% do diretório. "Não me troco por causa de cargo", protestou o deputado e candidato derrotado ao governo de Sergipe, João Fontes, que teve uma discussão ríspida com Lupi, protagonizando o momento mais tenso da reunião da executiva pedetista. Ele cobrou coerência do presidente do partido, que foi à televisão na campanha eleitoral para dizer que "o PT era o partido mais corrupto do País" e para "apresentar a ficha policial de seus dirigentes". Em vão. "Leonel Brizola fundou o partido e outros querem afundar o PDT", esbravejou Fontes diante do resultado final. Além de Fontes, também reprovaram a aliança com o governo o líder do PDT no Senado, Osmar Dias (PR), o senador Christovam Buarque (DF), o governador Ronaldo Lessa (AL) e o deputado Vieira da Cunha (RS). "De nada adiantou nosso argumento de que o PDT acabará engolido pela base governista e perderá o diferencial e o charme que nos farão muita falta nas eleições de 2008 e 2010", lamentou Dias. O senador lembra que também foi inútil o apelo de Christovam para a importância de o partido manter-se na oposição ao governo e garantir a segurança institucional, evitando inclusive eventuais movimentos do Planalto em favor de uma terceira reeleição de Lula. "O fato é que todo mundo criticou a questão ética e a política econômica subserviente a Washington, mas ao final a maioria ignorou os próprios argumentos e aprovou a coalizão", resumiu Dias. Foi assim no longo discurso crítico do deputado Alceu Collares (RS), que encerrou sua fala com a ressalva de que, apesar de tudo, acredita que Lula irá repensar seus atos e salvar sua biografia no segundo mandato. Da mesma forma, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, também não poupou críticas ao governo. Anunciou que vem aí uma reforma trabalhista "para tirar direitos dos trabalhadores", com a qual o PDT não poderá concordar. Mas votou pela coalizão assim mesmo, garantindo a maioria folgada em favor do Planalto. Este texto foi alterado às 22h05 para acréscimo de informação

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