PDT continua na base do governo apesar da demissão de Lupi

O PDT vai continuar na base do governo Dilma Rousseff apesar da demissão de Carlos Lupi do comando do Ministério do Trabalho, após denúncias de supostas irregularidade na pasta, informou nesta segunda-feira o presidente interino da sigla, deputado André Figueiredo (CE).

REUTERS

05 de dezembro de 2011 | 15h09

Figueiredo afirmou que há uma posição "consensual" dentro do PDT de que o partido continuará, "independentemente de qualquer coisa, na base do governo", mesmo que a sigla perca o controle do Ministério do Trabalho.

"O PDT fica na base", disse o presidente interino antes de reunião da Executiva do partido.

O deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, reafirmou que cabe à presidente decidir se a pasta do Trabalho permanece com o PDT após a saída de Lupi, que pediu demissão do cargo na noite de domingo.

"Ela (Dilma) que tem que medir as consequências", disse o deputado.

Lupi foi o sétimo ministro a deixar o governo Dilma, o sexto diante de denúncias de irregularidades. Ele era um dos integrantes do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que foram mantidos por Dilma em seus cargos.

Sua situação já era considerada delicada desde a quarta-feira, quando a Comissão de Ética Pública (CEP), órgão consultivo ligado à Presidência da República, recomendou a exoneração do ministro a Dilma.

Lupi era alvo de denúncias de acumular cargos públicos na esfera federal e municipal do Rio de Janeiro e de ter aceitado "carona" em avião de dirigente de uma ONG que teve negócios com o Ministério do Trabalho. Também pesavam denúncias de suposto esquema de propinas envolvendo ONGs conveniadas com a pasta.

O ex-ministro, que é presidente licenciado do PDT, deve reassumir a presidência do partido em janeiro, segundo Figueiredo. "Ele (Lupi) quer descansar... quando ele voltar, assume naturalmente", explicou.

A posição, no entanto, não é unânime no partido. O deputado Brizola Neto (RJ) defende que o PDT tenha outro interlocutor com o Planalto, num momento em que devem ter início as negociações sobre a sucessão na pasta do Trabalho.

"Não dá para o ex-ministro Carlos Lupi tirar o paletó de ministro, ir em casa, tomar um banho, botar uma camisa social e voltar ao Palácio como interlocutor do partido no governo. Acho que essa reunião tem justamente essa função, da gente redefinir essa interlocução", disse Neto.

O secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Paulo Roberto Santos Pinto, responderá pela pasta interinamente. É possível que Dilma só escolha um substituto definitivo na reforma ministerial prevista para o começo do próximo ano.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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