PDT apresentará emendas para elevar valor do mínimo

O PDT vai apresentar emendas para elevar o salário mínimo de 2011 a R$ 560 ou R$ 580, apesar da orientação do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para que aliados não apresentem emendas à Medida Provisória que o governo enviará ao Congresso propondo um piso de R$ 545. "Não é assim não, isso aqui é um parlamento", reagiu o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical.

LU AIKO OTTA, Agência Estado

08 de fevereiro de 2011 | 19h16

"Se o governo quiser passar o rolo compressor ele vai, mas antes vai ter de colocar o Exército para cercar o Congresso", afirmou o deputado. Ele avisou que as centrais farão uma grande mobilização. "Aí, vamos ver como será a votação", ameaçou. Paulinho acrescentou que o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) vai propor R$ 565 e o PSDB defenderá os R$ 600 prometidos pelo candidato do partido, José Serra, durante a campanha eleitoral.

Para o deputado, o governo cometerá um erro se romper a negociação com as centrais sindicais em torno do valor do salário mínimo. "Fica um rescaldo para o futuro", comentou. "Derrotar aliados é uma coisa ruim, um erro que estão levando a Dilma a fazer."

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, avalia que o que está em discussão é muito mais do que o valor do salário mínimo. "É uma visão de política econômica", disse. O governo, por intermédio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sustenta que não pode pagar um piso salarial maior porque, entre outras razões, isso pressionaria a inflação. "A questão é que não temos uma inflação de demanda", argumenta o presidente da CUT. "Todos sabemos que a inflação tem um pico no início do ano por causa de mensalidades escolares e transporte e, além disso, há muita especulação com os preços dos alimentos."

Santos não acha que as centrais tenham sido deixadas de lado pelo governo na discussão do mínimo. "Apenas houve um impasse e eles resolveram enviar a MP com R$ 545", disse. "Mas as negociações continuam em torno de outros pontos da pauta." Ele se refere à correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e à lei que consolidará a regra de reajuste do mínimo para os próximos anos.

Os presidentes da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto, e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, ainda esperam dialogar com o governo sobre o mínimo. "É uma encenação", avaliou Patah. "Eles estão esticando a corda." Neto observou que, na última sexta-feira, quando houve reunião entre governo e centrais, o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, havia se comprometido a dialogar com as centrais.

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