PDT agora exige cargos na Educação

Partido que integra a base de sustentação da presidente Dilma Rousseff, o PDT quer recorrer à tática do "loteamento cruzado" para garantir mais espaço na máquina pública a seus integrantes. O plano será colocado em curso caso o partido não consiga demitir do Ministério do Trabalho, sob seu comando, o secretário Manoel Messias Melo, que é filiado ao PT e diretor licenciado da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

AE, Agência Estado

14 Abril 2013 | 09h17

A prioridade, em um primeiro momento, foi desalojar Messias, que comanda as Relações do Trabalho da pasta. Em recente conversa com o secretário, o novo ministro, Manoel Dias, da cota pedetista, não escondeu o jogo: afirmou que precisava da cadeira.

Foi quando Dilma entrou no jogo para conter a disputa entre o PT e o PDT. Mandou o ministro manter Messias no mesmo lugar. Conduzido ao cargo há um mês, como exigência do PDT para apoiar o projeto reeleitoral da presidente em 2014, o titular do Trabalho disse a pelo menos três interlocutores que, se não puder desalojar o secretário, vai recorrer à sua ideia heterodoxa: pedirá vagas no Ministério da Educação, sob o comando do petista Aloizio Mercadante.

Na avaliação de dirigentes do PDT, essa seria uma forma de "compensar" a legenda por não conseguir "porteira fechada" no ministério. O jargão é usado na política quando todos os cargos de uma repartição ficam sob controle da mesma sigla.

?Imexível?

Além de Messias, que na Secretaria de Relações do Trabalho tem controle sobre os registros dos sindicatos brasileiros, o pedetista Dias emprega outro petista conhecido. Trata-se de Paul Singer, secretário de Economia Solidária do ministério.

Singer, porém, é considerado "imexível" por ser histórico no PT, ter 80 anos e dirigir uma fatia do ministério que não desperta cobiça. "O problema é que Messias está lá a serviço da CUT e do PT. Eu avisei o Lupi: se ele ficar, vou reforçar a oposição ao governo Dilma", insiste o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical, numa referência ao ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, que comanda o PDT.

Messias diz estar "indignado" com a cobrança de Paulinho. "Desde que entrei no Ministério, levado pelo (ex-ministro) Brizola Neto (em junho do ano passado), saíram 140 registros de sindicatos de trabalhadores. Deste total, 80 não informaram filiação a nenhuma central, 20 eram filiados à Força e outros se dividiam entre a CUT e a Nova Central. Como dizer que eu estou beneficiando a CUT?", protesta o secretário de Relações do Trabalho. "A disputa deve acontecer na base, e não no ministério", afirma.

No mês passado, diante da polêmica, o ministro do Trabalho afirmou ao Estado que a recondução da ex-secretária de Relações do Trabalho Zilmara Alencar, ligada a Lupi, não havia sido discutida com o PDT. Mesmo assim, ressalvou: "Nem sempre é possível fazer o que eu quero". Procurado novamente pela reportagem na sexta-feira, o ministro preferiu não se manifestar de novo sobre o assunto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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